Tumores gastrointestinais: resultados promissores para o adenocarcinoma esofagogástrico
Tumores gastrointestinais: resultados promissores para o adenocarcinoma esofagogástrico
Por Victor Hugo Fonseca de Jesus, oncologista clínico do A.C.Camargo Cancer Center
Foi apresentado o DESTINY-Gastric01, um estudo randomizado, de fase II, envolvendo 187 pacientes com adenocarcinoma esofagogástrico avançado HER2 positivo. Ele comparou o Trastuzumabe Deruxtecan com a quimioterapia de escolha do investigador.
O estudo foi realizado em 48 instituições no Japão e outras 18 na Coreia do Sul.
Significa uma evolução, pois não havia dados a respeito da efetividade de terapias anti-HER2 para pacientes com adenocarcinoma esofagogástrico previamente tratados com Trastuzumabe.
Como funciona
O Trastuzumabe Deruxtecan consiste em um anticorpo monoclonal humanizado conjugado a um quimioterápico inibidor de topoisomerase I.
Após ligação da medicação ao HER2 (membrana localizada na membrana celular do tumor), a droga é internalizada e a ligação entre o Trastuzumabe e o quimioterápico é quebrada por ação de enzimas nos lisossomos. Depois, o quimioterápico é liberado dentro da célula, desencadeando a morte da célula.
Objetivo
Terapias anti-HER2 foram testadas em pacientes com adenocarcinoma esofagogástrico previamente tratados com Trastuzumabe, sem sucesso. Tratamentos com Lapatinibe e TDM-1 falharam em trazer benefícios aos pacientes.
O campo de agentes conjugados anticorpo-quimioterápico sofreu grandes avanços nos últimos anos. Isso culminou no desenvolvimento de moléculas com maior afinidade aos receptores e melhores características físico-químicas, otimizando a atividade anti-tumoral.
Foi nesse cenário que o Trastuzumabe Deruxtecan foi desenvolvido por pesquisadores japoneses da Daiichi Sankyo.
Principal novidade e benefícios
O estudo demonstrou ganhos significativos em termos de sobrevida global (mediana: 12,5 vs. 8,4 meses) e de taxa de resposta radiológica (51 vs. 14%).
Como o adenocarcinoma esofagogástrico HER2 positivo é uma doença de comportamento agressivo, esta nova terapia de alta efetividade traz esperanças aos 15-20% de pacientes com tumores de esôfago ou estômago que expressam essa proteína.
Assim, o estudo demonstra grande potencial para tratamento, e aponta o caminho para o desenvolvimento de terapias voltadas contra outras proteínas presentes em células tumorais.
Um dos aspectos negativos da droga é o risco de 10% de desenvolver pneumonite (inflamação no pulmão) ou doença intersticial pulmonar. Outras toxicidades também foram mais frequentes quando comparadas à quimioterapia de escolha do investigador, como a toxicidade hematológica (anemia, queda de glóbulos brancos e queda de plaquetas) e náuseas/vômitos.
Conclusões
Esta droga é extremamente promissora. O impacto positivo é enorme, abrindo caminho para uma nova geração de drogas e para o tratamento de doenças graves e consideradas anteriormente refratárias ao tratamento.

