Microbioma versus resposta imune de pacientes TMO e com leucemia
Microbioma versus resposta imune de pacientes TMO e com leucemia
Profissionais do A.C.Camargo e do MD Anderson irão estudar infecções por vírus respiratórios nesses casos onco-hematológicos
Avaliar o microbioma e a resposta imune dos pacientes transplantados de medula óssea (TMO) e com leucemia durante as infecções deles por vírus respiratórios.
Eis o foco de um estudo em parceria entre profissionais do A.C.Camargo Cancer Center e do MD Anderson Cancer Center, de Houston, no Texas, cujo projeto acaba de ser aprovado para financiamento pela prestigiosa National Institutes of Health (NIH).
O nascimento
Médica titular do Departamento de Infectologia do A.C.Camargo e responsável pelas infecções no Departamento de Hematologia, Marjorie Vieira Batista afirma que a ideia surgiu durante seu pós-doutorado este ano no próprio Cancer Center texano.
“Estava no Departamento de Infectologia do MD Anderson e propus ao meu chefe lá, o Doutor Roy Chemaly, esse estudo prospectivo entre Estados Unidos e Brasil a ser financiado pelo NIH”, conta a Dra. Marjorie, que é uma das investigadoras principais ao lado do Dr. Roy e do Dr. Kenneth Gollob, imunologista e head do Grupo de Pesquisa em Imuno-oncologia Translacional do A.C.Camargo.
O projeto contará com uma equipe robusta de pesquisa em Houston, Denver e aqui, com a participação do Dr. Jayr Schmidt Filho, head do Departamento de Onco-hematologia, do Dr. Israel Tojal da Silva, head do grupo de Biologia Computacional e Bioinformática, e do Dr. Ivan França e da Dra. Flávia Abrantes, head e titular do Departamento de Infectologia, respectivamente.
O projeto foi batizado como Interação do Sistema Imunológico, Microbioma e Viroma na Determinação da Evolução de Infecções Virais Respiratórias em Receptores de Transplante de Células Hematopoiéticas e em Pacientes com Leucemia.
Microbioma
O estudo vai abordar infecções em pacientes transplantados de medula óssea e com leucemia.
Tem a ver com o microbioma – microorganismos que vivem nos tecidos e fluidos humanos, compostos principalmente de bactérias e vírus –, com o viroma – coleção de todos os vírus do corpo humano – e com a resposta imune às infecções por vírus respiratórios nos pacientes transplantados de medula óssea e com leucemia.
“Ou seja, a gente vai avaliar tudo o quer diz respeito a bactérias, vírus e fungos, e a resposta imune desses pacientes durante as infecções por esses vírus respiratórios”, explica Marjorie Vieira Batista.
Benefícios para os pacientes
A morbimortalidade – índice de pessoas mortas em decorrência de uma doença específica dentro de determinado grupo populacional – relacionada aos vírus respiratórios neste subgrupo de pacientes é extremamente elevada.
“A chance de progressão de um quadro viral respiratório alto, por exemplo, de uma gripe para uma pneumonia viral, é em torno de 30 a 40%”, diz a médica.
Com relação aos benefícios para os pacientes, o maior deles será o melhor entendimento do que acontece com a pessoa durante o processo infeccioso causado por vírus respiratório.
Serão estudados o parainfluenza, o vírus sincicial respiratório (VSR) e o influenza. “Há vários vírus que podem trazer gripe aos nossos pacientes transplantados e com leucemia. A ideia é entender o motivo de a pessoa transplantada ou com leucemia contar com uma chance maior de ter uma doença mais grave”, afirma a Dra. Marjorie.
A partir do momento em que os médicos conseguirem entender esses mecanismos, poderão desenvolver novas drogas e medidas de prevenção.
“Vamos comparar as populações dos dois países para entender se existe alguma particularidade tanto do sistema imune ou da microbiota, ou ainda da vacina que os pacientes usam. Iremos observar se essa particularidade pode propiciar que as infecções se comportem de maneira diferente entre a população desses dois países”, relata a médica.
Próximos passos
A Dra. Marjorie Vieira Batista, que está em seu segundo projeto de pesquisa com financiamento (o primeiro foi pela FAPESP), revela que apenas dez projetos foram aprovados pelo NIH entre mais de 250 inscritos.
“O NIH é a mais respeitada instituição financiadora de pesquisas na área da saúde do mundo”, comemora Marjorie.
A duração do estudo será de quatro anos – de 2020 a 2024.
“Será um pool de informações gigante. A partir desse estudo, haverá uma cascata de conhecimento que vai gerar, com certeza, novos projetos”, finaliza.

