AACR 2019: proteína PD-L1 pode suprimir atividade das células imunes no combate ao tumor
AACR 2019: proteína PD-L1 pode suprimir atividade das células imunes no combate ao tumor
Estudo da Universidade da Pensilvânia mostrou ação em células de melanoma metastático
Por Dra. Vilma Regina Martins, superintendente de pesquisa do A.C.Camargo Cancer Center
Os tumores são capazes de escapar da destruição pelo sistema imune por produzirem proteínas na superfície de suas células chamadas PD-L1 que funcionam como uma chave para identificar uma fechadura, a molécula PD1 presente em células T do sistema imune. A ligação chave-fechadura leva a morte das células T e a manutenção das células tumorais. Dois dos anticorpos usados na imunoterapia ligam-se a PD-L1 ou a PD1, e impedem que a chave encontre a fechadura e que portanto a célula do sistema imune não seja destruída pelo tumor e que possa combate-lo.
Um dos limitantes da imunoterapia é que apenas 20-40% dos pacientes respondem ao tratamento, portanto, é muito importante entender como a célula tumoral escapa do sistema imune para que se possa predizer os efeitos do tratamento e melhorar sua eficácia.
Um estudo liderado por Wei Guo da Universidade da Pensilvânia (EUA) e apresentado na AACR mostrou que células de melanoma metastático (um tumor de pele altamente agressivo), podem liberar no microambiente tumoral ou na circulação sanguínea pequenas vesículas denominadas exosomos contendo a proteína PD-L1 na sua superfície. Esta suprime a atividade das células imunes de combater o tumor. Interessantemente, altas concentrações de PD-L1 associadas a exosomos na circulação antes do tratamento com a imunoterapia (anticorpo anti-PD1, pembrolizumab) correlacionam-se com a pior desfecho clínico permitindo estratificar pacientes respondedores de não respondedores.
Portanto, o estudo propõe um racional uso de PD-L1 associado a exosomos como biomarcadores circulantes, dada a facilidade do acesso a este material no sangue periférico. Esta avaliação permitirá selecionar pacientes respondedores ao tratamento e oferecer alternativas terapêuticas aos que foram identificados como não respondedores.
