Câncer de canal anal: o que há de novo? | A.C.Camargo Cancer Center Pular para o conteúdo principal

Câncer de canal anal: o que há de novo?

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Câncer de canal anal: o que há de novo?

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Na oncologia, a área é carente de estudos, mas Brasil e América Latina podem fazer a diferença pelo grande número de pacientes

O câncer de canal anal é uma área carente de pesquisa. Nos EUA, esse tipo de câncer representa 2,6% das neoplasias do trato digestivo, com 8200 novos casos e 1100 mortes em 2017. No Brasil, sua incidência tem aumentado em torno de 4% ao ano. Cerca de 30 pacientes por ano são tratados apenas no A.C.Camargo.

Doutora Rachel Riechelmann, coordenadora da oncologia clínica da Instituição, explica que os fatores de risco para a doença são infecção crônica por HPV, antecedente pessoal de neoplasias ou displasias de alto grau do colo uterino e/ou vulvar e imunossupressão. O HIV, por exemplo, é uma doença imunossupressora que aumenta em 20 vezes a possibilidade de câncer anal. Como tratamento, são indicados ressecção transanal com margem negativa para tumores superficiais; radioterapia combinada com quimioterapia para tumores com acometimento de linfonodos; e amputação abdominoperineal como tratamento de resgate.

Câncer de canal anal geralmente surge associado a infecção por HPV, devido a uma integração do DNA viral com as células epiteliais. A presença de neoantígenos virais torna possível o tratamento por imunoterapia: atualmente, quatro estudos estão sendo feitos sobre a atuação da imunoterapia no tratamento deste tipo de câncer. Também há um estudo com o quimioterápico DCF, que mostrou dados promissores e podem indicar um novo padrão de tratamento.

“Em relação a pacientes HIV positivos, uma revisão sistemática e meta-análise recentes demonstraram piores desfechos e maior toxicidade entre estes pacientes tratados com quimioterapia e radioterapia”, explica doutora Rachel. Por isso, é preciso ficar atento para a definição de resposta completa de pacientes com HIV positivo, pois eles podem demorar mais tempo para atingir a resposta necessária ao tratamento e, assim, evitar uma cirurgia de amputação.

“Hoje, o tratamento de câncer de canal anal metastático padrão ainda é a quimioterapia baseada em cisplatina. Carbotaxol e DFC devem ser os medicamentos preferenciais. Os estudos de imunoterapia são muito promissores. Na oncologia, há um grande gap em relação a estudos de câncer de canal anal. É uma área carente de pesquisas e nós podemos fazer a diferença, já que temos um número grande de pacientes no Brasil e na América Latina”, finaliza doutora Rachel.