AACR 2019: o papel protetor do microbioma intestinal durante o tratamento imunoterápico
AACR 2019: o papel protetor do microbioma intestinal durante o tratamento imunoterápico
Fibras prebióticas e probióticos podem influenciar na eficiência da terapia
Por Diana Noronha Nunes, bióloga pesquisadora do Laboratório de Genômica Médica do Centro Internacional de Pesquisa (CIPE) do A.C.Camargo Cancer Center
Mais uma vez o tema da avaliação do microbioma intestinal em pacientes tratados com imunoterapia anti-PDL1 (um tipo de droga que bloqueia uma proteína presente no tumor que permite que o sistema imune seja desbloqueado e possa eliminar as células tumorais) foi um dos pontos altos da AACR 2019. A Dra. Jennifer Wargo, do MD Anderson Cancer Center, apresentou novos dados, nos quais a terapia-alvo pode tornar o microambiente tumoral mais imunogênico, ou seja, mais propenso a ser detectado pelo sistema imune, antes do tratamento com anti-PD-L1. Neste sentido, um estudo de avaliação de tratamento neoadjuvante (feito antes da cirurgia) para melanomas com alterações nos genes BRAF/MEK, versus o tratamento adjuvante (feito após a cirurgia) se mostrou muito superior. Os pacientes tratados com terapia neoadjuvante tiveram uma resposta bastante superior e possuem ainda alguns marcadores diferenciais detectados em células-B.
Outro dado muito relevante mostrou que pacientes que ingerem uma maior quantidade de fibras prebióticas (aquelas digeridas apenas pelas bactérias presentes no intestino grosso) respondem melhor ao tratamento anti-PDL1. A pesquisa destacou que pacientes que consumiram uma dieta rica em fibras tiveram até cinco vezes mais chance de responder a este tratamento. Este mesmo estudo confirma ainda que algumas pesquisas recentes mostram que o uso de probióticos- bactérias vivas e benéficas que estão presentes em alimentos como o iogurte, kombucha (uma espécie de bebida fermentada), entre outros, muitas vezes por iniciativa do próprio paciente, pode diminuir a eficiência do tratamento.
Por fim, foram apresentados pela Dra. Carrie Daniel-MacDoughall dados de um estudo clínico em andamento baseado na dieta dos participantes, chamado BE GONE, que avalia se a ingestão diária de feijões pode elevar a quantidade de bactérias benéficas no microbioma intestinal. O alimento poderia contrabalancear efeitos nocivos da obesidade em pacientes com histórico de câncer de cólon ou doença pré-maligna colorretal. Neste sentido, resultados preliminares indicam que a ingestão de feijões tem realmente um efeito protetor nos pacientes que participantes do estudo.
