Pesquisa indica mudança imediata no tratamento de pacientes com câncer gástrico avançado
Pesquisa indica mudança imediata no tratamento de pacientes com câncer gástrico avançado
Um novo estudo apresentado no ASCO 2017 sinaliza mudanças no tratamento dos tumores gástricos e de junção gastroesofágica operáveis. Até recentemente, o padrão era quimioterapia baseada em platina e fluoropirimidina, por 2 a 3 meses antes da cirurgia e 2 a 3 meses depois.
A pesquisa "Perioperative chemotherapy with docetaxel, oxaliplatin, and fluorouracil/ leucovorin (FLOR) versus epirubicin, cisplatin, and fluorouracil/ capecitabine (ECF/ECX) for resectable gastric or gastroesophageal junction (GEJ) adenocarcinoma (FLOT4-AIO): a multicenter, randomized phase 3 trial", chefiada pelo Dr. Salah-Eddin Al-Batran, do University Cancer Center, de Frankfurt, apresenta um novo esquema, capaz de aumentar o período sem progressão da doença e a sobrevida global.
O estudo (um ensaio clínico de fase 3 multicêntrico) envolveu 716 pacientes: 74% deles homens, com idade média de 62 anos, com tumores com estadiamento T3/T4. Eles foram divididos aleatoriamente em dois grupos:
- Grupo 1: recebeu o tratamento tradicional (esquema ECF ou ECX).
- Grupo 2: recebeu o tratamento experimental (FLOT), composto por Docetaxel, Oxaliplatina e 5-FLuorouracil/Leucovorin por 2 meses antes da cirurgia (4 ciclos) e mais 2 meses depois da cirurgia (4 ciclos).
A ideia de acrescentar o Docetaxel surgiu de alguns estudos sobre câncer gástrico metastático, indicando que sua inclusão aumentava a eficácia da quimioterapia tradicional, para esses casos.
"O estudo demonstrou aumento de sobrevida livre de progressão mediana (30 meses para esquema FLOT vs. 18 meses para o tradicional) e sobrevida global mediana (50 meses para esquema FLOT vs. 35 para o convencional)", relata Dr. Victor Hugo Fonseca, da nossa equipe de Oncologia Clínica, que esteve presente na apresentação da pesquisa, em Chicago.
De acordo com ele, a nova estratégia de tratamento aumenta a frequência de efeitos colaterais como diarreia, infecções, queda de imunidade (neutropenia), mas nada que leve a complicações graves. "Esses dados têm consequência direta e indicam uma imediata mudança no manejo dos pacientes com câncer gástrico e de junção esôfago-gástrica, com a adoção do novo protocolo de tratamento," afirma.
