A.C.Camargo participa de estudo colaborativo sobre Sarcoma de Ewing, raro tipo de câncer ósseo
A.C.Camargo participa de estudo colaborativo sobre Sarcoma de Ewing, raro tipo de câncer ósseo
A doença é rara, daí a união de um grupo de profissionais de 15 diferentes hospitais em estudo colaborativo sobre sarcoma de Ewing, publicado na BioMedCentral Cancer. O objetivo da pesquisa "What is the Impact of Local Control in Ewing Sarcoma: Analysis of the Brazilian Collaborative Study Group - Ewing 1" foi avaliar o impacto do tratamento versus os resultados.

"Por ser raro, foi necessário somar forças de vários centros de tratamento para reunir os 73 casos que avaliamos no estudo", explica Dra. Suely Akino Nakagawa, diretora do nosso Departamento de Ortopedia e que também assina o trabalho. "O sarcoma de Ewing é o segundo câncer primário ósseo mais comum na infância, ficando atrás apenas dos osteossarcomas. Os locais mais frequentes de acometimentos nas extremidades são o fêmur (osso da coxa), a tíbia (osso da perna) e o úmero (osso do braço). As queixas mais frequentes que levam o paciente a procurar auxílio médico são ador, inchaço ou aumento de volume", explica a especialista.
O tratamento padrão do sarcoma de Ewing envolve a chamada quimioterapia de indução (para melhorar os resultados da cirurgia e impedir metástases), cirurgia e quimioterapia de consolidação. As chances de remissão estão entre 65% e 75%, mas esse índice cai para 25% quando o câncer volta (recidiva) e por isso os médicos se preocupam com o controle da doença.
"A questão principal está nos casos em que a cirurgia não é possível ou por causa da localização desfavorável do tumor ou porque ela é um procedimento de risco (elevada morbidade) ou ainda porque pode comprometer a qualidade de vida do paciente, com perda funcional do membro, por exemplo", explica Dra. Suely.
Resultados
"O que percebemos é que os pacientes que receberam tratamento cirúrgico com margem cirúrgica adequada, isto é, o tumor foi removido por completo, ou responderam muito bem à quimioterapia apresentaram os melhores prognósticos. Nos casos em que as ressecções foram marginais ou com margens comprometidas (não se pode retirar todas as células tumorais) e posteriormente se fez radioterapia, o prognóstico também foi bom", explica a especialista. No entanto, os casos em que a cirurgia não foi possível e se fez apenas a radioterapia, os resultados foram inferiores.

Dos 73 pacientes analisados, 47 pacientes foram tratados com cirurgia, 13 com cirurgia e radioterapia e outros 13 com radioterapia isolada.
O estudo não encontrou diferenças significativas em termos de recidivas locais ou sistêmicas entre as três diferentes formas de tratamento. Mas o tempo de sobrevida foi menor quando o paciente recebeu apenas a radioterapia. "É importante lembrar que há um ponto de atenção nesses resultados, porque este é justamente o grupo que apresenta os tumores maiores e mais avançados, em localizações desfavoráveis para a cirurgia e representa a parcela de pacientes de alto risco", afirma Dra. Suely.
Cada paciente deve ser sempre avaliado por um especialista, pois o tratamento adequado para cada caso depende de diversos fatores, como estado clínico do paciente, estadiamento e características do tumor. Consulte seu médico.
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