Oncogeriatria: o desafio de tratar uma população com cada vez mais idosos
Oncogeriatria: o desafio de tratar uma população com cada vez mais idosos
Sessão educativa do ASCO mostrou a necessidade de produzir dados específicos para o tratamento do paciente idoso e adotar comunicação mais clara que facilite a tomada de decisão
Estima-se que, em 2040, 70% dos diagnósticos de câncer serão de pessoas com mais de 65 anos, e isso significa dez vezes mais pacientes na faixa dos 75 aos 84 anos e 17 vezes na faixa acima dos 85 anos, em relação a 1975.
Esse é um desafio para o tratamento, já que existem poucas evidências sobre as condutas terapêuticas desse grupo, que, geralmente, já sofre de outras doenças crônicas e convive com as fragilidades da idade.
Para eles, o tratamento deve levar em conta não apenas o tumor, mas também o impacto dessas outras doenças e a autonomia e independência do doente.
A importância desse grupo é tão grande que o ASCO 2017 realizou uma sessão educacional, Improving Quality and Value of Cancer Care for Older Adults, para debater e melhorar qualidade e valor no cuidado oncológico a idosos.
Qualidade é a medida da adesão a protocolos de tratamento, e o problema aqui é que existem poucos dados científicos para essa população. Um estudo realizado em 2013, por exemplo, constatou que 60% dos medicamentos novos aprovados pela Food and Drug Administration (FDA) não ofereciam informações sobre seu uso em idosos.
"Valor é uma forma de medir a eficiência da assistência à saúde e, na oncogeriatria, é importante levar em conta alguns fatores, como independência para funções do dia a dia e manutenção da capacidade cognitiva", explica o Dr. Aldo Dettino, oncologista clínico do A.C.Camargo Cancer Center, que acompanhou a sessão.
"Qualidade de vida pode ser mais importante do que sobrevida global e isso pode significar optar por cuidados paliativos menos agressivos, em vez de tratamentos mais tóxicos", acrescenta.
A sessão, apresentada pelas Dras. Beverly Canin, da Breast Cancer Option, Arash Naeim, da Universidade da Califórnia, Erika Ramsdale, da Universidade da Virgínia, e Andrew Chapman, da Universidade Thomas Jefferson, destacou também a importância de as necessidades específicas dessa população idosa serem reconhecidas e consideradas nos processos de decisão de políticas de saúde e de uma comunicação mais eficiente e clara.
"Nesse sentido, a tecnologia da informação pode contribuir bastante, com melhorias na comunicação, condições de acesso, novos métodos de coletas de dados e pesquisas e aumento de decisões compartilhadas na assistência à saúde", afirma Dr. Dettino.
De acordo com os especialistas, pacientes e cuidadores, ao lado dos profissionais de saúde, podem decidir quais as melhores opções de tratamento, de acordo com os desejos e as necessidades pessoais.
Cansados de enfrentar as dificuldades e os altos custos do tratamento, pacientes tendem a ver conceitos como valor e qualidade como desumanizadores e querem ser tratados como indivíduos.
Por isso, a troca de informações entre toda a equipe multidisciplinar que o atende é tão fundamental e precisa ser clara e acessível para facilitar a tomada de decisão a cada passo dessa jornada.
