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Descoberto novo fator de risco para câncer pancreático familial

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Descoberto novo fator de risco para câncer pancreático familial

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Apesar de corresponder a somente 2% dos casos de câncer no Brasil, o tumor maligno no pâncreas é um dos mais agressivos. Por ser de difícil detecção, a taxa de mortalidade aumenta devido ao diagnóstico tardio e aos índices de metástase. Porém, estudo publicado no The Journal of Cell Biology pode ajudar a identificar casos hereditários de predisposição a câncer pancreático e colaborar para um início precoce do tratamento da doença.



De acordo com a pesquisa, pacientes que têm, de forma hereditária, um risco para inflamação no órgão, chamada pancreatite, são mais propensos a desenvolver um câncer posteriormente. Essa associação também está presente em outros tumores, conforme explicação da médica titular da Oncologia Clínica e da Oncogenética, Dra. Maria Nirvana da Cruz Formiga. "A inflamação está ligada ao desenvolvimento de cânceres em diversos órgãos, como a bexiga, por exemplo. Apesar de a pancreatite não ser comum, pode ser instituído um rastreamento nos indivíduos com quadros recorrentes da doença, para possibilitar um diagnóstico precoce e maiores chances de sucesso no tratamento", explica.

Além da inflamação, o câncer pancreático familial pode estar relacionado a outros fatores hereditários, como as mutações genéticas. Responsável por cerca de 5% do total dos casos de câncer de pâncreas, o caráter hereditário merece atenção, pois essas alterações podem exponenciar as falhas no DNA e aumentar o número de células com erro, o que possibilita o desenvolvimento de um tumor. Dentre os genes, quando alterados, ligados ao tumor no pâncreas, destaca-se o BRCA2 (da síndrome do câncer de mama e ovário hereditário); o CDKN2A, associado ao melanoma familial; além dos genes alterados na Síndrome de Lynch, como o MLH1 e o MSH2.

Uma mutação genética, no entanto, aumenta o risco, mas não é uma certeza de desenvolvimento de câncer. O recomendável para quem apresentar pancreatite de repetição, ou seja, múltiplos familiares com pancreatite ou casos de câncer na família, é a adoção de um estilo de vida ainda mais saudável, com a prática de exercícios físicos e boa alimentação. O tabagismo deve ser evitado, pois fumantes apresentam risco aumentado em 2 a 6 vezes em relação a não fumantes.

Nos casos confirmados de propensão à doença, todavia, há dificuldade na prevenção do tumor, mas medidas de rastreamento e diagnóstico precoce podem ser instituídas. "Quem for diagnosticado com a síndrome de predisposição a câncer de mama consegue retirar as mamas antes do surgimento do tumor, em um procedimento chamado mastectomia. Mas, no caso do pâncreas, não é possível removê-lo de forma preventiva, pois é um órgão essencial e insubstituível para o nosso metabolismo", destaca Dra. Nirvana.

Dra. Maria Nirvana da Cruz Formiga - CRM 110720
Médica Titular do Departamento de Oncologia Clínica
Médica Titular do Departamento de Oncogenética