Outubro Rosa: estudo avalia como o peso impacta o tratamento com abemaciclibe e hormonioterapia em pacientes com câncer de mama metastático
Outubro Rosa: estudo avalia como o peso impacta o tratamento com abemaciclibe e hormonioterapia em pacientes com câncer de mama metastático
Mulheres com sobrepeso podem se beneficiar sem comprometer sua qualidade de vida
Mulheres com sobrepeso podem se beneficiar sem comprometer sua qualidade de vida
O câncer de mama é causado, em 70% dos casos, pela alteração em receptores hormonais (estradiol). Esse hormônio é o mais importante para o corpo da mulher e está ligado à regulação do período fértil, saúde óssea e libido. Esta presente no corpo das mulheres, em quantidades menores, após a menopausa.
Mulheres com sobrepeso ou obesas, porém, têm mudanças significativas no metabolismo do estradiol, que podem influenciar no surgimento ou agravar um possível quadro de câncer de mama.
Aquelas que são diagnosticadas com câncer sem metástase ganham mais peso durante o tratamento e podem ter seu prognóstico piorado. Ou seja, elas possuem uma chance menor de cura após o tratamento de uma doença localizada.
Por outro lado, a literatura médica ainda não tem dados conclusivos sobre como o sobrepeso e a obesidade impactam no prognóstico da mulher que já possui metástase.
Obesidade x câncer
"Infelizmente, as mulheres acima do peso enfrentam alguns desafios durante o tratamento de um câncer de mama. Elas podem ter mais efeitos colaterais da quimioterapia, como fadiga, que está ligada à preparação física da paciente e a quantidade de exercícios que ela faz durante o tratamento. Além disso, pode levar a complicações sérias no decorrer da cirurgia", explica o médico oncologista Dr. Noam Pondé, do A.C.Camargo Cancer Center.
O especialista é um dos autores da pesquisa que analisou a introdução de abemaciclibe durante hormonioterapia em câncer metastático. O estudo mostrou que o medicamento também pode ser benéfico para pacientes acima do peso, quando são diagnosticadas com câncer de mama metastático.
A adição do medicamento à hormonioterapia prolonga a sobrevida livre de progressão da doença, apesar do índice de massa corporal (IMC).
"O abemaciclibe é um medicamento inibidor de CDK 4/6, fundamental no tratamento do câncer de mama metastático. Ele essencialmente reduz a proliferação das células tumorais de maneira intensa e ajuda a controlar as metástases", explica o doutor.
Ainda serão necessários mais estudos para analisar os parâmetros de composição corporal em pacientes sobre inibidores de CDK 4/6 para esclarecer outras hipóteses.
Atualmente, não existe um tratamento específico contra o câncer de mama para cada índice de massa corpóreo – embora a dose de alguns agentes quimioterápicos possa ser maior para algumas pacientes com sobrepeso.
“Para as mulheres que começam um tratamento para câncer com sobrepeso ou obesas, um acompanhamento nutricional e uma rotina de exercícios é fundamental para diminuir as toxicidades, melhorar a qualidade de vida e aumentar as chances de cura”, aconselha o especialista.
Efeitos do abemaciclibe
O estudo também mostrou que o medicamento pode levar a uma perda de peso substancial em algumas pacientes. O abemaciclibe apresenta efeitos colaterais como diarreia e neutropenia em alguns casos, ainda que sejam em geral leves e não estejam relacionados com a perda de peso.
