Conheça o primeiro catálogo mundial do ecossistema microbiano urbano do mundo
Conheça o primeiro catálogo mundial do ecossistema microbiano urbano do mundo
Estudo realizado com apoio do A.C.Camargo Cancer Center apresenta o primeiro catálogo da distribuição de micro-organismos nas cidades do planeta
Estudo realizado com apoio do A.C.Camargo Cancer Center apresenta o primeiro catálogo da distribuição de micro-organismos nas cidades do planeta
Imagine andar pela cidade em busca de cada micro-organismo existente por aí. Parece uma missão impossível, certo? Para os cientistas, nem tanto.
Um estudo realizado pelo consórcio internacional MetaSub reuniu pesquisadores especializados em genômica, análise de dados, engenharia, epidemiologia e saúde pública para mapear a variedade e quantidade de bactérias, fungos, vírus e outros micro-organismos do ambiente urbano.
Como foi feita a pesquisa
A equipe sequenciou e analisou amostras coletadas de sistema de transporte público, ambientes urbanos e hospitais em 60 cidades ao redor do mundo. Os resultados foram impressionantes: mais de 10 mil novos tipos de vírus, além de bactérias e arqueias (tipo de bactéria) até antes desconhecidas pela ciência.
O estudo foi publicado pela revista Cell, com um artigo complementar publicado na revista Microbiome (links em inglês).
Os resultados, baseados em 4.728 amostras de cidades em seis continentes coletadas ao longo de três anos (2015 a 2017), caracterizam marcadores regionais de resistência antimicrobiana e representam o primeiro catálogo mundial do ecossistema microbiano urbano.
Por aqui, na América do Sul, foram recolhidas 331 amostras, sendo 199 oriundas das cidades brasileiras de Ribeirão Preto (SP), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP).
Novas descobertas
Os pesquisadores identificaram mais de quatro mil espécies conhecidas de micro-organismos urbanos, mas também descobriram que qualquer amostragem subsequente provavelmente continuará a encontrar espécies que nunca foram vistas antes, o que destaca o potencial para novas descobertas relacionadas à diversidade microbiana e funções biológicas em ambientes urbanos.
“Este monitoramento é muito valioso, não apenas para estudos relacionados às doenças humanas, mas também para a detecção de genes de resistência a antibióticos, descoberta de novas espécies e monitoramento ambiental da dispersão de micro-organismos, incluindo vírus, bactérias e fungos”, explica o Dr. Emmanuel Dias-Neto, cientista chefe do Laboratório de Genômica Médica do Centro Internacional de Pesquisas (CIPE) do A.C.Camargo Cancer Center e diretor do consórcio MetaSub para a América do Sul.
No Brasil, o Laboratório de Genômica Médica do A.C.Camargo Cancer Center participa do consórcio internacional MetaSub desde 2016.
Novos tipos de vírus
Os achados também incluem a distribuição de 11.614 tipos de vírus, dos quais 10.928 (94,1%) são classificados como novos, além de 1.302 novas espécies de bactérias.
No continente sul americano, a maior parte dos novos micro-organismos descobertos foram encontrados em regiões mais próximas à linha do Equador, algo já esperado por ser uma região menos estudada e com maior temperatura média, o que favorece o desenvolvimento de muitas espécies.
“Além do mapeamento inicial da microbiota urbana mundial, criamos um estabelecimento de uma rede mundial e protocolos eficientes para monitorar o surgimento de endemias e pandemias, permitindo avaliar rotas de transmissão e o surgimento de variantes virais de grande interesse, como no caso da pandemia de covid-19”, explica o pesquisador.
CIPE e inovação
O A.C.Camargo foi o único centro no Brasil envolvido no estudo de covid-19 e mapeamento do SARS-CoV-2 em ambiente hospitalar. Isso permite identificar as variantes virais dispersas no ambiente e mapear regiões de atenção, o que deve propiciar ações mais efetivas de controle da pandemia e oferecer um ambiente hospitalar ainda mais seguro para os pacientes oncológicos.
O consórcio ainda publicará estudos importantes nos próximos meses sobre a dispersão mundial de SARS-CoV-2 em ambientes urbanos no mundo, com coletas em ambiente hospitalar brasileiro, além de sua distribuição em sistemas de transporte; e ainda investigando o efeito de eventos de grandes proporções, como os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, na microbiota de uma cidade, com a chegada de milhares de pessoas vindas de países do mundo todo, estudo que deverá se repetir nos jogos Olímpicos de Tóquio.
A pesquisa foi divulgada em diversos veículos de comunicação, como The New York Times, Revista Nature e Revista Science (links em inglês).
