AACR 2019: estudo aborda os mecanismos de falha da terapia de reprogramação celular, CAR-T Cells | A.C.Camargo Cancer Center Pular para o conteúdo principal

AACR 2019: estudo aborda os mecanismos de falha da terapia de reprogramação celular, CAR-T Cells

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AACR 2019: estudo aborda os mecanismos de falha da terapia de reprogramação celular, CAR-T Cells

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Considerado um tratamento revolucionário para leucemia, as CAR-T Cells moldam as próprias células do paciente contra a doença 

Por Dr. Kenneth Gollob, head do grupo de Imuno-oncologia Translacional e Dr. Jayr Schmidt Filho, head do departamento de Onco-hematologia do A.C.Camargo Cancer Center

A terapia CAR-T Cells, aprovada em 2017 pelo Food and Drug Administration (FDA), nos Estados Unidos, trouxe muitas novidades para o tratamento oncológico. A técnica que é utilizada para tratamento de leucemia linfoblástica aguda de células B e linfoma difuso de grandes células B, age como terapia-alvo, porém sem utilizar medicamentos. As CAR-T Cells são células de defesa do organismo, que são extraídas e moldadas em laboratório para combaterem o tumor. Depois, são infundidas de volta ao paciente. Ou seja, elas agem reprogramando as próprias células do paciente contra a doença. 

Sobre este assunto, um dos destaques foi a apresentação Mechanisms behind CAR-T cell therapy failure for treatment of B cell leukemia and lymphomas (Mecanismos por trás da falha da terapia celular CAR-T para o tratamento de leucemia linfoblástica aguda de células B (LLA-B) e linfoma difuso de grandes células B) da Dra. Crystal Mackall da Universidade de Stanford ampliou os estudos acerca da terapia revolucionária.

A abordagem focou em entender a falha da terapia que acontece em alguns pacientes em tratamento de linfomas de células B e LLA-B. De acordo com o estudo, apenas cerca de 33% desses pacientes tratados com CAR-T cells contra o antígeno CD19 - proteína localizada na superfície das células tumorais, que acabam servindo de “alvo” para as CAR-T Cells - têm resposta completa a longo prazo. O estudo de Stanford abordou que um dos mecanismos da recidiva do tumor é por conta dele perder a expressão CD19. No entanto, essas células também expressam o antígeno CD22, outra proteína na superfície das células tumorais. Portanto, uma terapia de CAR-T Cells contra os dois antígenos, CD19 e CD22, poderia combater estas células resistentes. 

Outro ponto levantando pelo estudo da Dra. Crystal apontou que o mecanismo principal por trás da falha é o esgotamento das células CAR-T. Ela demonstrou que essas células expressam um fenótipo exaurido e não se expandem em alguns pacientes. Ou seja, nem todas as construções do CAR-T CD19 são iguais, algumas resistem melhor à exaustão do que outras. Esses achados são importantes e podem levar a terapias mais eficazes com células CAR-T, aumentando o número de pacientes que têm uma resposta completa à terapia. Além disso, podem favorecer a melhoria no processo de manufatura das células CAR-T, gerando novos estudos para tratamento de outros cânceres hematológicos e tumores sólidos.

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