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A.C.Camargo Cancer Center anuncia patente de dispositivo que facilita análise do tumor de mama em fase inicial

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A.C.Camargo Cancer Center anuncia patente de dispositivo que facilita análise do tumor de mama em fase inicial

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Um entre 4 casos de câncer de mama são diagnosticados quando ainda há apenas microcalcificações detectadas na mamografia. Ferramenta T1-SURE, desenvolvida no A.C.Camargo Cancer Center, contribui para uma maior precisão no diagnóstico e na personalização da conduta terapêutica 

O câncer de mama é diagnosticado em cerca de 1 entre 4 casos em fase inicial, quando há apenas microcalcificações não palpáveis e detectáveis apenas no exame de imagem. Para a precisa indicação da conduta terapêutica desses casos, é fundamental que essas microcalcificações sejam avaliadas por um patologista, que será o profissional responsável por mensurar as características desta lesão, correlacionando-a com outros critérios clínicos. Para tanto, o material que contém as microcalcificações, que é retirado em cirurgia, precisa se manter íntegro para a análise correta no laboratório.

Com esse propósito, o A.C.Camargo Cancer Center anuncia o lançamento do dispositivo laboratorial T1-SURE, desenvolvido e patenteado pela instituição, que auxilia todo o processo de análise das microcalcificações desde a retirada em cirurgia, preservando a integridade da lesão e das informações que ela fornece. "Os métodos convencionais de avaliação do material com microcalcificações apresentam dificuldades para o patologista, pois a peça chega à Anatomia Patológica com deformações e referências perdidas, impedindo o mapeamento preciso da lesão. Já o T1-SURE oferece plasticidade e segurança", explica o patologista e diretor médico do A.C.Camargo Cancer Center, Victor Piana de Andrade, que foi quem desenvolveu o protótipo.

 

PASSO A PASSO - Na sala cirúrgica, a lesão mamária que contém as microcalcificações é retirada da paciente e colocada na T1-SURE, que se trata de uma placa acrílica com uma janela retrátil. O material colocado na placa é fixado por fios de nylon, que o imobilizam. Já a janela superior dessa placa mantém uma distância em relação ao tumor. Nesse espaço, é depositado o formol, que penetra no tecido, possibilitando a sua preservação.

A partir daí a janela superior é temporariamente lacrada, para comprimir o material. O tecido inserido no T1-SURE é radiografado para a confirmação de que toda a área de microcalcificação foi, de fato, removida durante a cirurgia. Em seguida, a peça é encaminhada para a equipe de patologistas, com total integridade de seu conteúdo.  Já no laboratório de Anatomia Patológica, a peça é retirada da placa, medida e pesada. Na sequência, a peça é pintada para demarcar as margens cirúrgicas e é feito o posicionamento tridimensional exato de acordo com as marcações usadas pelo cirurgião.  

 

VANTAGENS - De acordo com Victor Piana de Andrade, tentativas anteriores de imobilização da peça que visavam garantir o mapeamento da lesão dificultavam a boa fixação da amostra no formol. E a boa fixação, explica o patologista, é justamente a condição fundamental para a realização das análises morfológicas e moleculares necessárias para a definição do tratamento adequado. Nesse sentido, despontam as vantagens oferecidas pelo T1-SURE.

"A idéia do nylon, por exemplo, oferece vantagem sobre outros materiais, pois ele combina características como resistência, durabilidade, radiopacidade na medida certa (ele aparece no microfilme, mas não esconde a calcificação), além de imobilizar a peça na exata proporção em que ela foi radiografada".

Com isso, acrescenta Victor Piana, a peça chega ao patologista na mesma posição em que foi feito os raios-X ou mamografia. "Isso permite que tracemos um paralelo de onde estão as microcalcificações no exame de imagem e correlacionemos com a microscopia do exame dele. Isso permite a nós saber exatamente em quais blocos de parafina vão estar as lesões mais importantes", acrescenta.

 

DIAGNÓSTICO E TOMADA DE DECISÃO - Ao auxiliar todo o processo de preservação das microcalcificações, desde a cirurgia até a análise morfológica e molecular, o T1-SURE possibilita a personalização do diagnóstico e do tratamento. São preservadas as informações do espécime mamário quanto, por exemplo, ao tamanho e tipo de tumor e se a lesão invade vasos.

A indicação ou não de quimioterapia é uma exemplificação da aplicação prática desse conhecimento. Esse tratamento é indicado para as pacientes com prognóstico ruim ou alto risco para que a doença recorra. Por sua vez, se a paciente tiver um tumor restrito à mama e de tamanho pequeno (por exemplo, menor do que 5 milímetros), ela pode ser poupada da quimioterapia. Já as pacientes com tumores acima de 1 ou 2 centímetros, são quase sempre encaminhadas para quimioterapia.

 

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Moura Leite Netto - Mtb 44.949 - moura@comunique.srv.br