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Congresso promovido pelo A.C.Camargo Cancer Center discute opções de preservação de fertilidade para mulheres com tumor ginecológico

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Congresso promovido pelo A.C.Camargo Cancer Center discute opções de preservação de fertilidade para mulheres com tumor ginecológico

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A preservação de fertilidade em pacientes com diagnóstico de câncer de colo do útero, endométrio e ovário será um dos destaques do Painel de Ginecologia do Next Frontiers to Cure Cancer, evento promovido pelo A.C.Camargo. De 20 a 22 de abril, o Congresso discutirá os avanços e novas fronteiras em pesquisa, diagnóstico e tratamento dos tipos de câncer mais incidentes na população brasileira

Embora o câncer ginecológico seja mais prevalente na pós-menopausa, também existem mulheres que recebem o diagnóstico da doença em fase fértil e com o desejo de ter filhos. A preservação de fertilidade nesse grupo de pacientes com câncer de colo do útero, endométrio e ovário epitelial será um dos destaques do Painel de Ginecologia do Next Frontiers to Cure Cancer, evento internacional, promovido pelo A.C.Camargo Cancer Center, que acontecerá de 20 a 22 de abril no Hotel Renassaince, em São Paulo.

Com 16 mil novos casos previstos para 2017, de acordo com o INCA, o câncer de colo do útero é o tumor ginecológico mais comum no país. Estima-se que 4 entre 10 pacientes diagnosticadas com a doença tenham menos de 40 anos, faixa etária em que as mulheres têm maior produção dos hormônios reprodutivos e, muitas delas, com planos de ter filhos.

"Dentre os tumores ginecológicos, o que mais oferece alternativas para preservação de fertilidade é o de colo do útero. Os tumores no ovário e endométrio ocorrem mais frequentemente na menopausa, quando a mulher já não se encontra em fase reprodutiva", observa o cirurgião oncologista, diretor de Ginecologia do A.C.Camargo Cancer Center e coordenador do painel de Ginecologia do evento, Glauco Baiocchi Neto.

Além do fator idade, a indicação de técnicas de preservação de fertilidade dependerá do estadiamento (fase em que a doença é diagnosticada, ou seja, o quanto ela está ou não avançada). Conforme explica o especialista, a preservação é mais preconizada em se tratando de lesões pré-câncer. Além disso, quando é câncer, mas a doença está restrita ao colo do útero, sem ter se espalhado para linfonodos e, principalmente, se o tumor é de até dois centímetros, a preservação também é factível.

"Nesses casos, podemos optar pela cirurgia de retirada do colo do útero, do ligamento em volta, assim como de um pedaço da vagina, mas preservando todo o corpo do útero, ovários e trompas, o que é suficiente para a mulher vir a engravidar depois", detalha. Outra boa notícia é que se na biópsia não for observado nenhum fator de risco para recidiva (volta da doença) e a paciente não precisar fazer nenhum tratamento complementar (que, em se tratando de câncer de colo do útero, o mais comum é a radioterapia) a chance de sobrevida global com a cirurgia de preservação de fertilidade é igual à sobrevida que seria obtida com a retirada do corpo do útero e dos ovários. "Isso está bem estabelecido hoje na literatura e é uma opção para mulheres que querem ter filhos", afirma Glauco Baiocchi Neto.  

 

ENDOMÉTRIO - O endométrio é a camada interna do corpo do útero, onde o nenê cresce. A pergunta, nesse caso, é como preservar a fertilidade quanto esse órgão é acometido pelo câncer. De acordo com Glauco Baiocchi Neto, para se chegar a essa resposta é importante levar em conta, primeiro, a faixa etária da paciente. 75% das pacientes com câncer de endométrio tem mais de 50 anos. Cerca de 20% tem entre 40 e 50 anos e apenas 5% tem abaixo de 40 anos. "Isso já é uma seleção natural das pacientes candidatas à preservação", exemplifica.

Além disso, deve-se partir do pressuposto de que o endométrio tem uma relação direta com o estrógeno (que estimula o órgão) e progesterona (que bloqueia). "A gente precisa selecionar um subgrupo de pacientes no qual esse câncer seja de um tipo respondente ao hormônio e que seja também muito inicial, ou seja, que começou na camada interna do útero (no endométrio), não infiltrou e não tem doença fora do útero", detalha.

Nesses casos, explica Glauco Baiocchi, é feito o tratamento com medicação (progesterona em doses altas). "A gente usa progesterona por um tempo, esperando uma resposta boa em seis meses e, depois que a paciente usou, espera por mais um ano. Após isso, se a mulher conseguir engravidar e ter constituído a prole que desejava, é retirado o útero, evitando assim uma possível volta da doença", esclarece.

 

OVÁRIO - Da mesma forma que os tumores de endométrio, o câncer de ovário é uma doença que ocorre com mais frequência na menopausa, principalmente na sexta e sétima década de vida. Raramente a doença se dá abaixo dos 40 anos, mas, quando ocorre, tem uma maior propensão para ser um tumor benigno (não câncer) ou intermediário de benignidade (os chamados tumores borderline de ovário), que são dois perfis que podem ser candidatos à preservação de fertilidade. A preservação nesses casos significa a retirada do ovário e da trompa doente, deixando o outro ovário, a trompa e o útero. "Essa regra é válida para os tumores benignos ou para os borderline", explica Glauco Baiocchi Neto.

Quando há o diagnóstico de câncer de ovário, o cenário se mostra diferente. O grande complicador é que os tumores epiteliais (que representam 8 entre 10 tumores malignos de ovário) são diagnosticados em fase avançada em 75% dos casos, quando a doença já disseminou para fora do ovário. "A regra, quando isso ocorre, é não preservar a fertilidade", afirma o cirurgião oncologista.

Por sua vez, há outro cenário em que a preservação também se mostra possível. É o formado por um subgrupo de pacientes em idade mais jovem e com câncer epitelial não borderline, onde a doença é mais restrita ao ovário. De acordo com Glauco Baiocchi, se a doença for totalmente restrita ao ovário, é possível a paciente ser candidata a preservar a fertilidade, ou seja, deixar o anexo que é o ovário e trompa contralateral ao útero e fazer o restante do estadiamento da lesão (avaliação de linfonodos e do peritônio).

Se a paciente, ao final, tem só aquela doença restrita ao ovário e trompa, é bem provável que ele fará quimioterapia complementar, o que também não impede que ela permaneça fértil. "A quimioterapia, abaixo dos 40 anos não é tão limitante, pois quanto mais cedo se faz a quimioterapia, maior é a chance de a paciente voltar a menstruar e ovular. Aliás, hoje há uma tendência de que quando as mulheres vão chegando na faixa dos 40 anos e vão fazer quimioterapia, a paciente pode ser aconselhada a guardar os óvulos", acrescenta.

 

OUTRAS ABORDAGENS - Inserido na programação do segundo dia do Next Frontiers to Cure Cancer - 21 de abril - o Painel de Ginecologia discutirá, além da preservação de fertilidade, temas como indicações de cirurgia minimamente invasiva, quando inserir a radioterapia após a cirurgia, indicações de tratamento para cada perfil molecular de tumor, papel do PET-CT no planejamento terapêutico, dentre outros. A programação completa está disponível em www.nextfrontiers.com.br.

 

NEXT FRONTIERS TO CURE CANCER - Nesta que é a sua segunda edição, o Next Frontiers to Cure Cancer acontece de 20 a 22 de abril no Hotel Renaissance, em São Paulo. Com o olhar atento ao presente e futuro da oncologia, o A.C.Camargo Cancer Center reúne palestrantes de renomadas instituições nacionais e internacionais de mais de 16 especialidades para falar sobre os avanços e novas fronteiras no combate ao câncer.

Participam palestrantes internacionais do MD Anderson Cancer Center, Memorial Sloan Kettering Cancer Center, Mayo Clinic, Harvard Medical School, National Cancer Institute (NIH), Winona State University, University of Miami (Estados Unidos), Heidelberg University (Alemanha), University of Torino (Itália), Universidad de Buenos Aires (Argentina) e Princess Margaret Cancer Center - University Health Network (Canadá).

Com o tema central a "Perspectiva multidisciplinar no diagnóstico, tratamento e pesquisa do câncer", o Congresso enfatizará os avanços nesta tríade em câncer de mama e tumores gastrointestinais, ósseos, urológicos e ginecológicos e também em sarcomas de partes moles e na pesquisa translacional em oncologia. Também serão discutidos os efeitos tardios do tratamento do câncer, a abordagem cardiológica no tratamento e seguimento do paciente oncológico (onco-cardiologia), a epidemiologia e questões ligadas à enfermagem, farmácia, nutrição, fisioterapia e psicologia, sempre voltadas para o paciente oncológico. Serão seis salas simultâneas para acomodar todos os temas.

 

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Moura Leite Netto - Mtb 44.949 - moura@comunique.srv.br