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Encaminhamento para terapia de Natal

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Encaminhamento para terapia de Natal

Então é Natal / E o que você fez? / O ano termina e nasce outra vez / Então é Natal / A festa cristã / Do velho e do novo / Do amor como um todo / Então é Natal…

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A voz do paciente

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A voz do paciente

Então é Natal / E o que você fez? / O ano termina e nasce outra vez / Então é Natal / A festa cristã / Do velho e do novo / Do amor como um todo / Então é Natal…

A canção de Simone já está soando no ouvido. A data está chegando aí. É o tempo de fazer aquilo que os médicos dizem para evitar, mas que só obedece quem tem juízo mesmo: beber para celebrar, comer mais que o necessário, comover-se pelos que faltam à mesa, deixar o coração bater mais forte de emoção.

É um período arriscado para organismos debilitados como os nossos, se faltar o mínimo de  juízo. Mas também é nutritivo de afeto, sedativo das dores e angústias, e estimulante da esperança e da vontade de viver. Mais que tudo, é um tempo de desejar, de pensar no que é bom e de sonhar que aconteça.

Ganhar presente, por exemplo. É o mais antigo e o mais básico dos nossos desejos, surge assim que entendemos os ritos do Natal. A boneca, o carrinho, a bicicleta sonhados na infância vão mudando com as fases da vida, porque a criança e o sonho seguem vivos dentro da gente. E quando a fase é, por acaso, a de enfrentar o câncer, o que mais queremos é nos livrar logo dele.

Então, que todos possam ganhar o presente da cura, neste Natal ou num próximo. E que possam ganhar, até ela, toda a paz e a confiança necessárias à luta.

Que possam ter o diagnóstico mais preciso e a internação mais curta. Que possam ter a radio e quimioterapia mais confortáveis. Que possam criar uma relação forte com os médicos e enfermeiros, repleta de humanidade, e tenham o tratamento mais eficaz.

Às crianças que estão internadas, que venha o Papai Noel de verdade, direto da Lapônia, trazendo tantos lindos presentes que não caibam no quarto. Para fazer a felicidade delas e de todos nós. Porque se as crianças forem contempladas, todo o mundo oncológico será recompensado de ternura e amor.

Aos adultos que também vão passar a data no hospital, que a comida insossa tenha o gosto de um refinado manjar dos deuses, e que ela seja desfrutada na companhia dos que lhes são mais queridos. Aos profissionais de saúde, que estarão de plantão cumprindo seu dever nesse dia, que a gratidão dos doentes e de suas famílias soe em seus ouvidos e vibre em seus corações como um coro de um milhão de vozes, porque é a dimensão que ela terá.

"

Você quis nesta época e vai querer depois dela que o mundo melhore, e que as doenças dele se curem. A sua simples vontade já é ele melhorando. E já é cura, dentro de si.

Gabriel Priolli

Mas é Natal, tempo de emoções fortes, então vamos desejar ainda mais, e mais intensamente. Vamos sonhar logo com milagres natalinos, tipo aqueles que cansamos de ver em filmes de Hollywood. Vamos sonhar alto para que o impossível aconteça e, se não acontecer, nunca deixemos de querê-lo.

Sonhar que nunca, em tempo algum, por nenhuma razão econômica ou de outra natureza qualquer, um ser humano seja privado de um bom tratamento médico, se acontecer dele ter um câncer ou qualquer doença. Que nunca os pacientes tenham o tratamento limitado ou atrasado por precariedade das redes de atendimento, ou pela insensibilidade dos planos de saúde.

Sonhar que a medicina avance cada vez mais em ciência e tecnologia, e que cada avanço fortaleça junto com ele a afetividade e a compaixão no pessoal médico. Para que todos sejam melhores e mais completos profissionais de saúde.

Então é Natal. O ano termina e começa outra vez. E o que você fez?

Amor como um todo.

Sobre o autor

Gabriel Priolli é jornalista radicado em São Paulo. Trabalhou nos principais veículos de imprensa do país, dirigiu e criou canais de televisão, e foi professor na PUC, FAAP e FIAM. Hoje atua como consultor de comunicação.