Estudo americano mostra pela primeira vez o risco de tratar câncer apenas com terapias alternativas
Estudo americano mostra pela primeira vez o risco de tratar câncer apenas com terapias alternativas
Uma pesquisa do Yale Cancer Center, em Connecticut (Estados Unidos), avaliou o risco de morte que um paciente de câncer corre quando recorre exclusivamente às chamadas terapias alternativas, e ele foi, em média, 2,5 vezes maior se comparado com quem recebeu tratamento com terapias convencionais (cirurgia, quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia).
Os pesquisadores avaliaram 280 pacientes com quatro tipos de câncer – mama, próstata, pulmão e cólon – em estágio inicial e compararam com 580 outros que seguiram o tratamento convencional.
O estudo analisou dados de uma base nacional de dados de câncer nos Estados Unidos no período de 2004 a 2013 (10 anos), incluindo pacientes que apareceram no registro como tendo seguido apenas "terapias não comprovadas", usadas em substituição aos tratamentos médicos vigentes e com comprovação científica.
Tanto nos Estados Unidos como no Brasil, são raros os pacientes de câncer que tomam essa atitude de recorrer exclusivamente a "terapias" não recomendadas por médicos. "Esse é um assunto bastante delicado e a melhor maneira de trabalhar essa questão é oferecer aos pacientes informações claras a respeito dos tratamentos e de suas perspectivas; atualmente, minha impressão é de que no Brasil o recurso às terapias alternativas é mais comum entre os pacientes que entram em cuidados paliativos", explica Dr. Helano Freitas, coordenador científico de Pesquisa Clínica do A.C.Camargo Cancer Center. De acordo com ele, não existem dados semelhantes no Brasil.
Alguns resultados da pesquisa
As terapias alternativas estão relacionadas à menor sobrevida em cinco anos após o diagnóstico em relação a pacientes que seguiram o tratamento convencional:

O único grupo em que a pesquisa não demonstrou diferença estatisticamente significativa na sobrevida foi o dos pacientes com câncer de próstata (sobrevida em 5 anos: 86,2% para terapias não comprovadas x 91,5% para terapias convencionais). Pelo caráter muitas vezes indolente dessa neoplasia, com muitos pacientes sobrevivendo mais de uma década, o tempo de acompanhamento de 66 meses é insuficiente para detectar diferenças mais significativas entre os grupos.
O trabalho é importante para trazer à discussão os riscos envolvidos na eventual escolha de abandonar ou nem começar o tratamento do câncer em troca de terapias alternativas sem comprovação científica. "Resultados como esse nos lembram a importância da medicina baseada em evidência científica, ou seja, que médicos e seus pacientes sigam protocolos de tratamento já bem estabelecidos pelas pesquisas", reforça Dr. Helano.
