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Luz e esperança, para um bom ano novo

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Luz e esperança, para um bom ano novo

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A voz do paciente

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A voz do paciente

Um novo ano vai começar. O sol trará luz na manhã de 1º de janeiro e vai se por no final da tarde, como fez no dia anterior, como fará no dia 2, como faz diariamente há 4,5 bilhões de anos, desde que a Terra se formou. Nosso lindo planetinha azul vai rodar em torno de si mesmo em 24 horas e vai circular o Sol em 365 dias. Tudo será igual ao que é e ao que já foi nessa rotina astronômica, e continuará sendo até o fim dos tempos. Pelo menos, do tempo que couber a cada um de nós nesta vida.

Se é assim — e nós sabemos que é —, por que o Ano Novo é tão importante? Por que celebramos uma formalidade numérica, o fim da contagem dos dias de um ano e o início de outra? A formalidade de um calendário arbitrário, que não veio de fábrica junto com a Terra, fomos nós que inventamos?

Celebramos porque a passagem de ano é como o último milagre de Cristo: a ressurreição. É o renascimento da nossa esperança e a elevação da confiança ao céu. É a renovação da nossa vontade de seguir vivendo, de superar as dificuldades, de melhorar, de progredir, de vencer. Tudo há de dar certo neste ano! Toc! Toc! Toc! Vai dar! Vamos ser felizes! É o delicioso clímax das nossas melhores expectativas, que comemoramos brindando às incertezas do amanhã. Tim, tim! Venceremos!

Se isso vale para todos, vale mais para os enfermos entre nós. Mais ainda, para os pacientes oncológicos, pressionados por uma doença grave e por tratamentos severos, debilitantes, às vezes prolongados, que afetam a normalidade e a qualidade de vida. A luta contra o câncer pode ser tão dura que consuma todas as reservas de esperança. E não há nada, nenhum remédio ou terapia, que substitua esse insumo básico no organismo oncológico. Nada é mais importante que a esperança de se curar, de viver. Então, há que encher os tanques, carregar as baterias, renovar o estoque, sempre que possível. O réveillon é o grande momento disso.

Quando fui enfrentar a cirurgia do meu câncer, que seria longa e arriscada, a última coisa que olhei antes de seguir para a mesa de operação foi o céu azul de um dia ensolarado, que jorrava luz pela janela. Quando acordei na UTI, a primeira luz que enxerguei indicou que eu havia sobrevivido. E na internação, todas as manhãs, eu subia as cortinas e deixava o sol inundar o meu quarto e a minha alma.

Nesses anos da vida nova, a que iniciamos quando vem o diagnóstico do câncer e começamos o tratamento, eu me mantenho focado na luz. Quero e vou enxergá-la enquanto tiver forças, não vou desistir. Já sou remissivo, mas agora também imunodeprimido, um corpo fraquinho. São muitas as sequelas, doenças novas surgem, a saúde ficou bem frágil. Mas vou em frente, confiante.

Tenho a proteção de uma equipe médica competente, tenho o apoio da família e dos amigos, tenho certeza de que a força do espírito ajuda a preservar a matéria. Compartilho essa crença com você que lê, para renová-la juntos.

À meia-noite do dia 31, a luz vai explodir no céu noturno, em mil cores e formas, numa festa de alegria e esperança. E na manhã seguinte, o sol vai nascer de novo, para aquecer as nossas vidas e fortalecer o ânimo dos que penam na doença. Na força, na fé, na luz, vamos fazer de 2024 um feliz ano novo.

Sobre o autor

Gabriel Priolli é jornalista radicado em São Paulo. Trabalhou nos principais veículos de imprensa do país, dirigiu e criou canais de televisão, e foi professor na PUC, FAAP e FIAM. Hoje atua como consultor de comunicação.