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Nutricionista oncologista e a importância do tratamento durante o câncer: parabéns pelo seu dia!

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Nutricionista oncologista e a importância do tratamento durante o câncer: parabéns pelo seu dia!

No dia 31 de agosto comemoramos o Dia do Nutricionista e, aqui no A.C.Camargo Cancer Center, a data ganha uma dedicação especial ao nutricionista oncologista.  

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No dia 31 de agosto comemoramos o Dia do Nutricionista e, aqui no A.C.Camargo Cancer Center, a data ganha uma dedicação especial ao nutricionista oncologista.  

Em 1939, o primeiro curso de Nutrição foi criado no Brasil pela Universidade de Saúde Pública de São Paulo e, 10 anos depois, em 31 de agosto de 1949, nascia a Associação Brasileira de Nutricionistas dando origem à data em que se comemora a imensa contribuição destes profissionais para a nossa sociedade. 

Em um cancer center como o A.C.Camargo, a presença deles é fundamental para a evolução de quadro dos nossos pacientes, além de gerar um grande acolhimento e cuidado especializado, não só dentro da instituição, mas em todo o mundo. Agora, o que muitos não sabem, é que, pelo fato de o tratamento dos nossos pacientes ser feito por equipes hiperespecializadas, aqui contamos com nutricionistas oncologistas. E é a eles e todos os nutricionistas que prestamos esta homenagem! 

Falando nos nutricionistas oncologistas, que tanto somam ao tratamento do paciente, vamos juntos explorar as particularidades do seu dia a dia e especificidades da atuação? 

O que difere um nutricionista oncologista dos demais? 

Cada câncer gera um quadro alimentar muito específico para cada paciente. São diferentes tratamentos, efeitos colaterais, alterações corporais, de apetite, necessidades, gerando assim mundos distintos e particulares. Por isso, a imersão que o nutricionista oncologista deve ter em cada comportamento da doença, seus efeitos e consequências é primordial para as condutas tomadas e resultados alcançados.  

"Precisamos entender se aquele paciente vai ter um gasto energético maior, os impactos de uma doença crônica, qual o manejo das toxicidades do tratamento, comportamento de cada tumor, o momento da intervenção frente à doença, se é no ato do diagnóstico ou não”, explica a Supervisora de Nutrição Clínica do A.C.Camargo Cancer Center, Thais Manfrinato Miola. Além disso, Miola também complementa dizendo que uma das principais diferenças entre um nutricionista geral e um nutricionista oncologista é saber o momento de agir. 

Comida como nutrição e alimento para a alma  

Na oncologia, a equipe de nutricionistas trabalha em todas as fases do paciente, desde o diagnóstico, até as etapas finais de vida. E passa, não só pelo caminho de uma rotina mais saudável e equilibrada, como também pelo conforto que o alimento pode levar para a alma de cada um deles. O conceito de confort food é muito presente na vida do nutricionista oncologista e apoia algo que talvez ninguém imagine: a saúde psicológica. 

“Muitos pacientes ficam extremamente abalados com o diagnóstico, suas novas vidas e rotinas, por isso a confort food é um recurso que utilizamos nesse apoio. Fazemos, inclusive, o Dia do Desejo, onde determinamos um grupo pacientes e investigamos qual poderia ser uma confort food para eles naquele momento. Houve um caso recente de um paciente que queria comer doce de leite em seu aniversário, por exemplo”, conta Thais. 

Junto a confort food, também podemos citar como “alimento para a alma” o momento em que o paciente deixa uma dieta via sonda para voltar a via oral. “Muitos pacientes que têm câncer de cabeça e pescoço, por exemplo, fazem a alimentação via sonda e quando chega a hora de tirarmos, vê-lo voltar a sentir o gosto do alimento, tendo prazer em se alimentar, não tem preço”, explica a nutricionista oncologista. 

O dia a dia de um nutricionista oncologista do A.C.Camargo 

Há três divisões onde o nutricionista oncologista trabalha por aqui: ambulatório, unidade de internação e unidade de quimioterapia e radioterapia. Ao chegar, estes profissionais avaliam todos os pacientes do seu Centro de Referência (Cabeça e Pescoço, Aparelho Digestivo Alto, Mama, entre outros), imprimem um relatório e vão até estes pacientes.  

Nas visitas, existem aqueles pacientes que acabaram de chegar, para os quais é feita uma avaliação de admissão. “Faço uma triagem nutricional para entender se ele tem algum risco ou não, se tiver ele é encaminhado para uma avaliação mais detalhada para que assim eu possa decidir qual vai ser a conduta, que vai depender também se o paciente está em jejum pré-operatório, pós-operatório, se ele está com algum sintoma de tratamento, alguma questão clínica”, aprofunda Thais. 

Para o paciente que já está internado, pelo menos uma consulta já foi feita no dia anterior, por isso o direcionamento é monitorar como está a aceitação alimentar, o hábito intestinal, quais são os sintomas que ele apresenta, se ele está com suplemento nutricional, se está conseguindo tomar ou não e, a partir disso, fazer as adequações necessárias da dieta.  

Mesmo com alta, o acompanhamento continua 

Na sequência, temos o paciente que está de alta e receberá orientações mais específicas. Se ele está tomando algum suplemento, por exemplo, receberá instruções sobre como continuar, opções de substituição de marcas, caso ele queira trocar, sanar dúvidas e, de lá, ele segue para o ambulatório de nutrição. Há também o caso dele estar em um pós-operatório e realizando uma dieta de evolução. Isso consiste em adaptar de vez o cardápio para a vida em casa, trocar alguns pratos e manter o equilíbrio dela.  

No ambulatório, a ideia é ir direto para a avaliação nutricional, que engloba, tanto a composição corporal, quanto a ingestão alimentar. Entender o que ele estava comendo, se tem falta de apetite ou não, outros sintomas, hábito intestinal, se está com suplemento e equilibrar com o momento que ele está vivendo, considerando limitações e sintomas de tratamento e quais são as necessidades nutricionais. 

Nutrição durante o câncer: benefícios 

  • Recupera e/ou mantém o estado nutricional adequado para a evolução do tratamento; 
  • Melhora a tolerância às reações de quimioterapias e radioterapias; 
  • Potencializa a redução do tempo de internação e novas entradas; 
  • Reduz a possibilidade de complicações e taxas de óbito (20% a 40% deles têm forte relação com o estado nutricional); 
  • Recupera massa muscular, resultando em melhor força para passar pelo tratamento. Um paciente acamado perde cerca de 1kg de massa muscular em 7 dias; 
  • Contribui com o equilíbrio e apoio das consequências psicológicas da doença. 

Nutricionista oncologista: desafios 

  • Desmistificar alimentos e dietas milagrosas; 
  • Fazer com que o paciente entenda as orientações de alimentação; 
  • Manter a recorrência da boa alimentação; 
  • Aceitação de que a alimentação básica é a ideal.

Nutrição na oncologia: curiosidades 

Para pacientes que não têm restrição de consistência de dietas, ele recebe um cardápio padrão, porém com opções para não precisar se prender ao que não gosta. E, mesmo nesse padrão, há flexibilidade, como, por exemplo, trocar uma carne vermelha por outra proteína, se a pessoa quiser. 

Não há alimentos proibidos de forma geral, porém há aqueles que são retirados conforme o quadro do paciente. Por exemplo, aqueles que fazem quimioterapia, como tendem a ter queda da imunidade, fica proibido o consumo de carne vermelha e ovos mal-passados ou crus, para evitar contaminações. Assim também funciona com frutas, verduras e legumes, mas são liberados caso tenham a higienização correta.

Em casos que o paciente retira parte do estômago, por exemplo, primeiro entramos com uma dieta líquida, depois pastosa e assim vai evoluindo a consistência. Durante esta evolução, alimentos que fermentam muito são tirados, como, por exemplo, o feijão. 

Não quer dizer que o paciente nunca mais vai comer os alimentos que estão restritos na dieta, mas só voltará dependendo da evolução do quadro.

Falando em dicas

O câncer é uma doença que pode vir e ir rápido, ser mais leve, mais complicada, sumir e voltar, por isso dicas de longo prazo quanto a nutrição também são de responsabilidade do nutricionista oncologista e a Thais Miola dividiu algumas delas com a gente: 

  • Montar pratos ricos em vegetais e grãos integrais; 
  • Adicionar leite e derivados na versão mais light, já que é uma importante fonte de proteína, cálcio e outros minerais; 
  • Diminuir o consumo de carne vermelha. O ideal são 300g por semana com limite de 500g por semana; 
  • Evitar os embutidos; 
  • Evitar o consumo de bebidas muito açucaradas;  
  • Praticar atividade física, dentro do indicado pelo médico.