O primeiro estudo eficaz do uso da ressonância magnética de corpo inteiro para rastrear tumores em fase inicial
O primeiro estudo eficaz do uso da ressonância magnética de corpo inteiro para rastrear tumores em fase inicial
Cientistas de seis países se uniram em consórcio internacional – e nossa Instituição representando o Brasil – para diagnosticar com segurança as muitas lesões dos pacientes com a Síndrome de Li-Fraumeni.
A Síndrome de Li-Fraumeni, condição hereditária de famílias portadoras que têm alto risco de desenvolver diversos tipos de tumores, é causada por uma mutação no gene TP53. O que isso significa? Que os portadores do gene precisam ser submetidos, desde muito jovens, a uma infinidade de exames, vários deles com o uso de radiação, para diagnosticar lesões cancerígenas ainda no início, porque assim têm mais chances de cura. Para isso, médicos e especialistas buscam métodos mais seguros e eficazes de diagnóstico.
Especialistas de importantes instituições de seis países (Austrália, Estados Unidos, Canadá, Holanda, Inglaterra e nós, do A.C.Camargo, pelo Brasil) se reuniram em consórcio internacional para avaliar a ressonância magnética de corpo inteiro como método de rastreamento. O estudo foi publicado em agosto na revista científica JAMA e mostra resultados promissores.
É uma meta-análise, ou seja, uma revisão de vários trabalhos com grupos de pacientes avaliados entre janeiro de 2004 e outubro de 2016. Foram incluídos 578 participantes com a síndrome, mas ainda sem sintomas. No primeiro exame de ressonância magnética de corpo inteiro, foram encontradas lesões em 173 deles (quase 30%). Desse grupo, 54 fizeram biópsias e 39 tiveram o câncer confirmado.
"Na primeira rodada de rastreamento, é esperado encontrar um número maior de lesões benignas e malignas, pois são alterações que já estavam lá. Por isso, há um número maior de resultados falso-positivos. A partir da segunda rodada de exames, encontramos principalmente os novos cânceres desenvolvidos nesse intervalo", diz o Dr. Rubens Chojniak, Diretor do Departamento de Imagem.
Há muito o que celebrar com esse estudo: a ressonância magnética é uma técnica segura, com baixa dose de radiação, e o seu uso pode poupar boa parte dos pacientes com biópsias desnecessárias. Aqui no A.C.Camargo, aliás, o rastreamento por ressonância já faz parte do protocolo dos pacientes com Li-Fraumeni, e foi tema da dissertação de mestrado da geneticista Daniele Paixão Pereira, do Departamento de Oncogenética. O Brasil, em particular, tem uma característica específica: em algumas regiões do país, um em cada 300 indivíduos tem a síndrome.
Para saber mais sobre a pesquisa, clique aqui.
