O que nos traz ao A.C.Camargo?
O que nos traz ao A.C.Camargo?
"Todos os caminhos levam a Roma", diz um antiquíssimo ditado hoje em desuso, mas ainda muito presente na infância de septuagenários como eu, idade de cuidados médicos. Ele se refere ao poderio do maior império da Antiguidade, que dominava territórios da Inglaterra ao Irã atuais e construiu uma rede de 80 mil quilômetros de estradas. Todas elas, interconectadas, levavam à capital imperial, a majestosa Roma, centro do mundo de então.
Fazendo analogia com esse ditado, eu me pergunto: quais caminhos levam um paciente de câncer a um hospital especializado? Mais precisamente, quais deles trazem o oncológico até o nosso hospital, A.C.Camargo Cancer Center? Senão todos, muitos, certamente. Os mais diversos. Mas devem existir pontos de conexão entre eles, não? Assim como havia nas estradas romanas. Especulemos a respeito, para conhecer melhor o nosso paradeiro, centro do nosso mundo no enfrentamento do câncer.
Meu caminho começou como o da imensa maioria de nós, eu suponho: na indicação de alguém. No caso, foi o médico otorrinolaringologista que cuidava da minha crônica sinusite. De repente, da noite para o dia, a minha arcada dentária superior ficou amortecida no lado direito. Como que anestesiada. Eu desconfiei de cara que poderia ser alguma coisa grave, mas ele teimava que era efeito da sinusite. Eu pedia investigação mais profunda, ele resistia, achava desnecessário. Até que, muitos meses depois, um dentista identificou o tumor na maxila, que uma biópsia confirmou.
Nesse momento, felizmente, o médico não teimou nem resistiu a nada. Ao contrário, foi muito assertivo e convincente. Eu estava naquele momento de choque que todos passamos no diagnóstico, completamente atarantado, e ele foi claro, firme e direto: "Vá imediatamente ao A.C.Camargo. É um hospital de excelência para câncer, minha irmã se trata lá. Eles são muito bons, vão te curar".
"Sim, mas como eu faço? Agendo consulta com quem?", eu perguntei, zonzo que estava. Ele foi bem objetivo, novamente. "Liga lá e pede uma consulta em Cabeça e Pescoço. Vão te agendar com um médico. Quem te atender é bom, pode confiar". Assim fiz e assim foi. Liguei, me agendaram com o Dr. Hugo Fontan Kohler, ele me recebeu com sua equipe de assistentes. Examinaram o local, discutiram a biópsia, ponderaram e o cirurgião me tranquilizou. "Tem cura. E nós vamos buscar". Bingo. Neste mês, completo cinco anos de seguimento, sem recidiva até agora.
Por que o otorrino indicou o A.C.Camargo e não outro hospital?
Porque sabia que a tradição democrática e humanitária do antigo Hospital do Câncer, de Antônio e Carmen Prudente, seguia viva sob a atual marca institucional. Era um hospital de alto nível ao alcance também dos remediados e dos pobres, credenciado em muitos planos de saúde. A irmã dele estava no A.C.Camargo graças a isso. Eu estaria também.
Outra coisa que ele disse e me ajudou a vir direto para cá, sem considerar outra opção de tratamento, foi a expressão "cancer center". Ele explicou que o A.C.Camargo não era apenas um hospital, era também um centro importante de pesquisas e ensino da oncologia. Tinha uma produção científica volumosa, de ponta, articulada com os maiores centros mundiais de estudo do câncer. E, além de bons médicos, terapeutas competentes, formava mestres e doutores em oncologia, especialistas avançados, fronteiriços do conhecimento na sua área. Enfim, reunia uma gente que sabia de tudo do câncer e como tratá-lo.
Outra coisa que ele disse e me ajudou a vir direto para cá, sem considerar outra opção de tratamento, foi a expressão "cancer center". Ele explicou que o A.C.Camargo não era apenas um hospital, era também um centro importante de pesquisas e ensino da oncologia. Tinha uma produção científica volumosa, de ponta, articulada com os maiores centros mundiais de estudo do câncer. E, além de bons médicos, terapeutas competentes, formava mestres e doutores em oncologia, especialistas avançados, fronteiriços do conhecimento na sua área. Enfim, reunia uma gente que sabia de tudo do câncer e como tratá-lo.
Não há o que um paciente oncológico possa desejar mais, na busca da cura. Que os médicos e o pessoal de saúde que os trata sejam os bambas das suas modalidades, gente muito capacitada. Que o hospital tenha índices comprovados de sucesso nos tratamentos. Que saiba enfrentar os piores casos, nas piores circunstâncias, e ainda assim ter bons resultados. Que nos dê esperança de aumentar a nossa expectativa de sobrevida, em resumo, e com isso fortaleça o nosso ânimo para a luta. Era o que eu precisava para decidir pelo A.C.Camargo, sem hesitar.
Tenho certeza de que essa minha experiência é comum a muita gente. Os caminhos que nos trazem ao A.C.Camargo são uma indicação enfática de alguém, amparada na sua profunda convicção. O alto nível técnico e científico do hospital, reconhecido internacionalmente, que forma essa convicção. A acessibilidade, o alcance desse recurso médico ao bolso de quase todos, inclusive sem desembolso para os pacientes do SUS. E a resolutividade, a significativa taxa de sucesso.
Há outros caminhos possíveis para chegar a esta Roma da oncologia? Pode haver, mas eu me contento com esses. Deram certo comigo e outras pessoas, hão de dar para muitas mais.
Gabriel Priolli é jornalista radicado em São Paulo. Trabalhou nos principais veículos de imprensa do país, dirigiu e criou canais de televisão, e foi professor na PUC, FAAP e FIAM. Hoje atua como consultor de comunicação.
