Oncologia personalizada na América Latina Pular para o conteúdo principal

Oncologia personalizada na América Latina

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Oncologia personalizada na América Latina

Especialistas discutem os desafios e as oportunidades sobre estudos em oncologia de precisão nos países latino-americanos

 

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Dra. Marina DeBrot observa amostras congeladas no biobanco

Dra. Marina DeBrot observa amostras congeladas no biobanco

Especialistas discutem os desafios e as oportunidades sobre estudos em oncologia de precisão nos países latino-americanos

 

A oncologia personalizada (ou de precisão) deixou de ser o futuro do tratamento oncológico para estar cada vez mais presente no dia a dia. Mas, ainda são necessários muitos estudos e pesquisas clínicas para torná-la cada vez mais acessível e precisa no combate ao câncer. Enquanto em grandes centros esses estudos avançam a passos largos, a América Latina representa apenas 4% de toda atividade global relacionada a pesquisa sobre câncer.

O estudo Personalizing Precision Oncology Clinical Trials in Latin America: An Expert Panel on Challenges and Opportunities (Personalização de ensaios clínicos de oncologia de precisão na América Latina: um painel de especialistas sobre desafios e oportunidades, em português) reuniu especialistas de oito países da América Latina para avaliar os principais desafios da região.

Segundo Dr. Helano Carioca Freitas, médico oncologista do A.C.Camargo Cancer Center e um dos autores do estudo, os ensaios clínicos para oncologia de precisão precisam de candidatos que tenham tumores com alterações moleculares específicas, considerados como o alvo da terapia experimental do ensaio. Como muitas alterações moleculares são raras, menos pacientes são inscritos e, como consequência, o sucesso da triagem diminui e aumentam os custos. Dessa forma, muitos testes são viáveis apenas quando são multicêntricos e multinacionais.

“Durante os testes, é gerada uma quantidade muito grande de dados genômicos, que requerem equipamentos caros e sofisticados, além de pessoal altamente treinado. São recursos que estão restritos a alguns centros de pesquisa e não amplamente disponíveis na América Latina”, explica Dr. Helano.

Oportunidades de melhorias

Dra. Rachel Riechelmann, médica oncologista do A.C.Camargo e autora sênior do estudo, explica que o uso de bancos de tumor (ou biobancos) pode ajudar a superar alguns desafios. “Os biobancos são reconhecidos como vitais para a pesquisa em oncologia. Mas, na América Latina, existem poucas unidades e, com exceção do Brasil, operam sem regulamentação específica”, comenta a médica.

Confidencialidade e ética na pesquisa de oncologia personalizada

Outro ponto levantando pelos autores é a questão da supervisão ética, que deve ser mais dinâmica e personalizada para cada região, mantendo os fundamentos morais. “Ao traduzir essa enorme quantidade de dados para a prática clínica, o grande desafio é como fazer isso garantindo a privacidade dos participantes e a confidencialidade de suas informações genéticas”, comenta Dra. Rachel.

A especialista explica que a América Latina apresenta uma população única em termos de características clínicas, sociais, ambientais e genéticas na pesquisa do câncer. Por isso, a aceleração da oncologia de precisão é uma esperança de tratamento mais eficaz não só para os tumores mais comuns, mas também para os subtipos mais raros. “Com a inevitável globalização da pesquisa clínica do câncer, é importante a América Latina implantar melhorias para a pesquisa em oncologia de precisão a fim de fornecer mais acesso a novos medicamentos para pacientes latino-americanos com câncer”.