Patologistas discutem tratamento de novas classificações de câncer do trato gastrointestinal
Patologistas discutem tratamento de novas classificações de câncer do trato gastrointestinal
Entre os dias 16 e 18 de junho, São Paulo receberá alguns dos mais renomados patologistas gastrointestinais do mundo, responsáveis pela atualização da classificação histológica dos tumores de esôfago, estômago, intestino, apêndice, pâncreas e fígado. Evento reunirá mais de 500 participantes
Os avanços no entendimento das características biológicas dos tumores do trato gastrointestinal e a implicação destas nas condutas terapêuticas serão compartilhados em São Paulo, entre os dias 16 e 18 de junho, durante a XXI Jornada de Patologia Gastrointestinal do A.C.Camargo Cancer Center. O evento, que acontecerá no Anfiteatro da Uninove - Unidade Vergueiro, receberá mais de 500 conferencistas e palestrantes internacionais da Mayo Clinic, Vanderbity University Medical Center, Emory Hospital University, Johns Hopkins, Massachusetts General Hospital, Brigham and Women´s Hospital e New York Presbiterian Hospital (Estados Unidos) e do Instituto de Patologia Molecular e Imunologia da Universidade do Porto (Portugal).
No primeiro dia da Jornada, destacam-se as apresentações da patologista portuguesa e pesquisadora do Instituto de Patologia Molecular e Imunologia da Universidade do Porto, Fátima Carneiro, autora de mais de 50 trabalhos publicados em revistas indexadas sobre o papel das mutações no gene da e-caderina para o desenvolvimento de câncer gástrico hereditário.
Estima-se que 90% dos tumores gástricos são esporádicos (causados por exposição a fatores ambientais) e os demais 10% dos casos são agrupados como familiares. A principal síndrome hereditária associada ao estômago é a do Câncer Difuso Gástrico Hereditário, cujas alterações mais conhecidas são as mutações germinativas no gene da e-caderina (CDH1). A principal indagação em torno deste assunto é que entre as famílias que preenchem os critérios clínicos para esta síndrome, apenas 4 entre 10 pacientes carregam as mutações germinativas em CDH1 e os demais 60% dos casos são de causa genética desconhecida. Em duas aulas em sequência, das 14h às 15h10 na quinta, dia 16, a patologista Fátima Carneiro descreverá os novos genes com alto potencial de estarem associados com hereditariedade e também atualizará o público sobre os biomarcadores associados ao câncer gástrico esporádico.
No primeiro dia de evento, que terá conferências sobre câncer de esôfago e estômago, serão debatidos também os critérios anatomopatológicos associados ao desenvolvimento de lesões pré-neoplásicas associadas às gastrites, doenças inflamatórias do esôfago, Doença de Barret, doença celíaca e colite aguda.
Nova classificação e tratamento menos agressivo - Embora seja um tumor raro, o pseudomixoma é uma doença altamente agressiva, que afeta toda a cavidade abdominal. Esta doença costuma se caracterizar pela produção contínua de mucina (uma substância gelatinosa), que se agrega nas vísceras e nas paredes dos órgãos internos do abdômen. O tratamento padrão nestes casos é a cirurgia para retirada de toda a lesão. "Dependendo da quantidade retirada, o paciente apresenta inflamações severas no pós-operatório", explica a patologista do A.C.Camargo e coordenadora da programação científica da Jornada, Maria Dirlei Begnami.
Conforme adianta a especialista, será apresentada no evento uma nova classificação desses tumores, que agora estarão divididos em diferentes categorias: neoplasias mucinosas de apêndice e os pseudomixomas peritoneais de alto e baixo grau. Os tumores classificados como neoplasias mucinosas de apêndice, explica Maria Dirlei, podem ser tratados com uma associação entre cirurgia e quimioterapia. Ocorre, segundo ela, a retirada de parte da camada gelatinosa que se agrupa na cavidade abdominal e depois é aplicada quimioterapia diretamente nos órgãos doentes.
O protocolo de tratamento também varia de acordo com a agressividade dos tumores classificados como pseudomixomas. Em linhas gerais, a doença de alto grau é tratada com uma associação entre quimioterapia e cirurgia e os tumores de baixo grau não precisam ser submetidos à quimioterapia. O tema será abordado durante conferência na sexta, dia 17, às 14h30, ministrada pelo patologista e diretor médico do Laboratório de Histopatologia do Massachusetts General Hospital, Joseph Misdraji.
Resposta à terapia-alvo - O tumor estromal gastroinestinal (GIST) é um tipo de sarcoma que afeta o aparelho digestivo, principalmente a parede do estômago. O tratamento padrão é a cirurgia, mas as formas mais agressivas da doença podem ser tratadas com o imatinibe (Glivec), droga esta que representa um dos maiores êxitos das terapias-alvos (substâncias especialmente desenhadas para inibir determinados alvos moleculares, neste caso, mutações no gene c-kit). No entanto, explica a patologista Maria Dirlei Begnami, 20% a 30% dos pacientes desenvolvem mecanismos de resistência e deixam de responder a esta droga. Os caminhos que buscam respostas para este problema serão compartilhados durante a Jornada pela patologista do Departamento de Patologia Gastrointestinal e de tumores de tecidos moles do Johns Hopkins, Elisabeth Montgomery, cuja apresentação será na sexta, às 16h50.
Novo olhar para o câncer de fígado - O tipo mais comum de câncer de fígado, o hepatocarcinoma, tem sua etiologia (do grego, que significa causa) associada com a contaminação pelos vírus das Hepatites B e C e por quadros de cirrose desencadeados pelo etilismo crônico. Por sua vez, surgem novas classificações de câncer de fígado que demonstram não ter qualquer relação com fatores ambientais e sim com alterações moleculares embrionárias, originais de células-tronco e, desta forma, estes subtipos devem ser inseridos em protocolos distintos aos dos hepatocarcinomas. As novidades nessa área serão trazidas pelo patologista e diretor de Patologia Gastrointestinal e Hepatobiliar da Mayo Clinic, Michael Torbenson.
A programação da XXI Jornada de Patologia inclui ainda apresentações sobre os desafios em relação à classificação dos pólipos intestinais; estadiamento (classificação dos estágios de agressividade) de câncer colorretal; drogas que induzem lesões em tecidos do trato gastrointestinal; discussões sobre neoplasias císticas pancreáticas; diagnósticos diferenciais dos tumores pancreáticos sólidos e entre adenomas hepáticos e hiperplasia nodular focal.
Escola de Patologia - A Jornada de Patologia integra a Escola de Patologia Oncológica Avançada Humberto Torloni (EPOAHT), do A.C.Camargo Cancer Center, cuja proposta é oferecer educação continuada aos patologistas brasileiros e residentes da área por meio de eventos científicos, cursos técnicos de média e longa duração, estágios e outros programas que visam à reciclagem do profissional que atua no diagnóstico morfológico e molecular do câncer. De acordo com o patologista, diretor de Anatomia Patológica do A.C.Camargo e coordenador da EPOAHT, Fernando Augusto Soares, o foco está em oferecer ao patologista o que há de mais atual em diagnóstico. "Além de realizar o diagnóstico clínico-patológico, o patologista tem que estar atento aos avanços da farmacogenômica. Infelizmente, as residências médicas em patologia no Brasil não têm preparado o futuro patologista para isso, carecendo mesmo de um melhor treinamento em imunohistoquimica. A necessidade de reciclagem é cada vez mais presente e a EPOAHT vem para preencher este vazio atual", conclui o diretor da Escola Avançada.
SERVIÇO
XX Jornada de Patologia
Realização: A.C.Camargo Cancer Center
Data: 16 a 18 de junho de 2016
Local: Anfiteatro Térreo - UNINOVE - unidade Vergueiro Rua Vergueiro, 235/249 - Liberdade - São Paulo - SP
Endereço: Rua Vergueiro, 235/249, Liberdade - São Paulo
Cobertura de imprensa: moura@comunique.srv.br
Haverá tradução simultânea
Sobre o A.C.Camargo Cancer Center - Fundado em 1953 e referência internacional em oncologia, o A.C.Camargo Cancer Center atua na prevenção, tratamento, ensino e pesquisa do câncer. Com serviços de assistência oncológica para a Saúde Suplementar e para o Sistema Único de Saúde (SUS), é uma Instituição privada sem fins lucrativos, mantida pela Fundação Antonio Prudente, um modelo sustentável que combina atuação social e geração de valor.
Em 2015, realizou mais de 3,7 milhões de atendimentos, 62% deles dedicados aos pacientes do SUS. Sua infraestrutura dispõe de rede com 480 leitos hospitalares, serviços de cirurgia oncológica e robótica, radioterapia, quimioterapia, anatomia patológica e diagnóstico por imagem. Sua equipe é composta por aproximadamente 5 mil profissionais, entre eles mais de 650 médicos, equipe especialista multidisciplinar, enfermeiros e nutricionistas.
A formação de especialistas e disseminação do conhecimento científico estão na essência do A.C.Camargo desde o início de sua história. Em 1953, criou o primeiro e maior Programa de Residência Médica em Oncologia do país com mais de mil especialistas formados ao longo de seis décadas. Seu Programa de Pós-graduação, iniciado em 1997, já formou 579 mestres e doutores. Em 1987, foi pioneiro na implantação da primeira escola hospitalar, a Escola Especializada Schwester Heine, para dar continuidade aos estudos das crianças e adolescentes em tratamento.
O A.C.Camargo ocupa o primeiro lugar no ranking mundial do SCIMAGO entre as instituições de saúde brasileiras que mais publicam nas revistas científicas de maior influência e impacto. Em 2015 esse trabalho resultou em 168 artigos publicados.
Possui também certificações e acreditações para os programas de qualidade e segurança assistencial, governança e gestão ambiental, sendo as mais importantes Acreditação ONA nível III - Excelência, Certificação Qmentum International - Padrão Diamante - pelo Canadian Council on Health Services Accreditation e Certificação ISO 14001 pela Fundação Carlos Alberto Vanzolini.
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