Pesquisa integrada aponta alterações em genes que podem estar relacionadas ao desenvolvimento do carcinoma de pênis
Pesquisa integrada aponta alterações em genes que podem estar relacionadas ao desenvolvimento do carcinoma de pênis
Se os dados coletados forem confirmados em estudos futuros, será possível criar terapias personalizadas para esse tipo de tumor.
Durante seu doutorado, o pesquisador Fabio Marchi, do CIPE, cruzou uma imensa quantidade de dados moleculares sobre o carcinoma de pênis. Seu foco era entender como a integração de dados poderia ajudar a identificar genes importantes para o desenvolvimento do tumor.
"Pesquisas realizadas pelo grupo da Dra Silvia Rogatto, orientadora do nosso programa de Pós-graduação, contribuíram com uma grande quantidade de informações moleculares sobre a doença e o desafio era criar um método que fosse capaz de combinar todas elas da melhor maneira possível", explica Dr. Fabio.
Os resultados foram divulgados no artigo "Multidimensional integrative analysis uncovers driver candidates and biomarkers in penile carcinoma" (Análise integrada multidimensional revela candidatos drivers e biomarcadores no carcinoma de pênis), publicado em julho na revista Scientific Reports.
Para cruzar os dados e identificar os genes de 53 pacientes, foi desenvolvido um algoritmo que combinou os muitos resultados encontrados. O grande desafio era entender quais alterações nos genes têm o papel de drivers (ou seja, as alterações significativas, que são poucas e de fato contribuem para o desenvolvimento da doença) e quais delas são passengers (alterações neutras que parecem não contribuir diretamente). Para aumentar a complexidade e a resolução, foram estudadas as diferentes vias biológicas onde essas alterações se encontram e como isso ajudaria no processo tumoral.
Cada grupo de alunos pesquisadores concentrou-se em um tipo de molécula da célula – uns estudaram alterações no DNA, outros no RNA etc. A integração dos conjuntos de dados, em várias dimensões, acabou revelando dois genes, BIRC5 e DNMT3B, que estão relacionados com a alta agressividade da doença e a pior sobrevida do paciente. Se as pesquisas moleculares futuras confirmarem isso, será possível desenvolver terapias personalizadas para esse tipo de tumor.
Para ver a pesquisa completa, clique aqui.
Dr. Fabio Albuquerque Marchi
Cientista e pesquisador do Centro Internacional de Pesquisa, do A.C.Camargo Cancer Center
