Pesquisa usa biópsia líquida para antever risco de metástases em pacientes com tumores de cabeça e pescoço
Pesquisa usa biópsia líquida para antever risco de metástases em pacientes com tumores de cabeça e pescoço
Microêmbolos compostos por um aglomerado de células tumorais (chamadas de CTMs) circulam pela corrente sanguínea e podem levar à metástase. Para identificar marcadores presentes nessas células que apontem o risco de metástase, nossos pesquisadores avaliaram, usando biópsia líquida, amostras de sangue de 53 pacientes com câncer de cabeça e pescoço avançado. O estudo foi publicado em agosto na revista científica Head & Neck.
As amostras de sangue foram colhidas em dois momentos: antes do início do tratamento e, em média, três meses após o tratamento (com quimioterapia ou radioterapia). Os pacientes que não apresentaram microêmbolos antes e após o tratamento tiveram 22,4 meses de sobrevida livre de progressão da doença (SLP), enquanto os pacientes com microêmbolos tiveram sobrevida de 4,7 meses.
A pesquisa é parte da tese de doutorado do Dr. Thiago Bueno de Oliveira, da Oncologia Clínica, orientada pela Dra. Ludmilla Thomé Domingos Chinen, que lidera o grupo de células tumorais circulantes do CIPE. A tese ainda é co-orientada pelo Dr. Luiz Paulo Kowalski, Diretor do Departamento de Cabeça e Pescoço. "Estudar a presença dos microêmbolos é importante porque, quando as células estão agrupadas na circulação, o nosso organismo/sistema imune tem menos força para combatê-las. Consequentemente, aumenta a probabilidade de que elas fiquem presas nos capilares de algum órgão como o pulmão ou o fígado, resultando em metástase", explica Dr. Thiago.
O fato de apresentar microêmbolos não significa que o paciente já tenha metástase e sim que há um risco maior disso ocorrer. "Isso é o mais interessante: apesar de eles não terem metástase macroscópica, 90% deles têm células circulando. E nem todos esses 90% terão metástase no futuro. O objetivo é entender porque alguns vão apresentar metástases e outros não", diz o especialista. O estudo revelou também que a expressão do marcador TGF- ßRI nessas células indica que a doença pode voltar. Isso abre a possibilidade de um tratamento personalizado com inibidores desse marcador.

