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Sangue novo no conselho de pacientes. E muito gás para uma nova gestão

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Sangue novo no conselho de pacientes. E muito gás para uma nova gestão

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A voz do paciente

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A voz do paciente

Já comentei aqui sobre o Conselho Consultivo de Pacientes e Acompanhantes, que o A.C.Camargo instituiu em janeiro de 2020, para o hospital ouvir as nossas necessidades e atender às nossas demandas, tanto nos serviços atuais quanto nos projetos futuros. Agora informo que uma nova gestão do Conselho está começando, com a chegada de 13 novos conselheiros e a permanência de outros dois, entre os quais este escriba.

O grupo agora reúne oncológicos ou acompanhantes em momentos diversos da jornada, do início ao seguimento, tratados por diversos centros de referência: Hematologia, Urologia,  Cabeça e Pescoço, Abdômen, Tumores Cutâneos, Sarcoma e Tumores Ósseos, Ginecologia, Urologia, Mama, Colorretal e Oncologia Pediátrica. Não somos representantes formais dos milhares de pacientes do AC Camargo, mas temos o desafio de expressar o máximo possível das visões, observações e ideias deles, e não apenas das nossas. Ser a voz de todos no Conselho, como procuro ser nesta coluna.

A primeira das seis reuniões bimensais previstas para este ano ocorreu na segunda-feira, 19 de fevereiro, na Unidade Tamandaré. Foi presencial. Além dos conselheiros (com exceção de três que não residem no Estado de São Paulo), estiveram nela os membros fixos, de setores importantes do hospital: Corpo Médico, Experiência do Paciente, Processos e Qualidade, Ouvidoria e SAC. Para dimensionar a importância que o conselho adquiriu na instituição, fomos recebidos pelo diretor-geral do A.C.Camargo, Dr. Vitor Piana, e pelo diretor clínico, Dr. Antonio Antonietto. Estiveram conosco durante toda a sessão.

E que sessão! Em geral, as reuniões do conselho têm temas e perguntas propostos pela equipe do hospital, têm as críticas e sugestões dos pacientes, e quase sempre, depoimentos pessoais muito agudos, muito tocantes, porque as histórias de oncológicos envolvem drama, angústia, sofrimento e é difícil que a gente não se emocione, quando algum assunto resvala nesses sentimentos. Foi o que aconteceu, quando o Dr. Vitor comentou o falecimento de um colega, o Dr. Celso Abdon.

O Dr. Celso era líder do Centro de Referência em Sarcomas e Tumores Ósseos, e médico titular do departamento de Oncologia Clínica. Era um craque na sua especialidade e se foi subitamente, há poucos dias, com apenas 48 anos. A comoção no hospital foi enorme, contava o Dr. Vítor. Todos estão arrasados. Foi quando dois dos novos conselheiros também se emocionaram, ao ouvir a notícia. Eles eram pacientes do falecido.

A comoção deles foi a de nós todos, na sala. Nós os abraçamos de compaixão e  solidariedade. Compartilhamos a fatalidade. Sentimos que, além da pessoa que gostamos, perder o médico de confiança é perder uma parte da confiança. É ser invadido pelo receio, pela incerteza. Descobrimos que é um susto de enorme proporção. Mas o Dr. Vítor prontamente tranquilizou a eles e a nós todos. "Antes de serem pacientes do Celso, vocês são pacientes do A.C.Camargo", enfatizou. "Um colega vai substituí-lo e vai aplicar o mesmo plano de tratamento que ele traçou". Cancer Center, sabe? Trabalho conjunto, integrado. É assim que funciona.

Assunto não vai faltar, como se vê. Nem disposição de debater e contribuir para a aperfeiçoamento do hospital. O entusiasmo é grande, para fazer acontecer. Em quatro anos de trabalho no Conselho de Pacientes, testemunhei uma infinidade de mudanças, que partiram das nossas propostas. Mudanças da água para o melhor vinho.

Aqui, paciente também é agente. Aqui, ouvem a gente.

Composição do conselho consultivo de pacientes e acompanhantes, para o biênio 2024-2025

Agnaldo de Barros
Alessandra de Almeida Seidel Moraes Serra
Alisson Andre da Silva Lima
Ana Lucia Campos Serra
Cesar Augusto de Jesus Aarão
Fátima Tornelli
Gabriel Priolli
Hirley Neves Falconi
José Roberto Pianca
Joyce Barros Lyra (mãe de Helena Barros Lyra)
Karen Mylena de Gouvêa Osera
Regina Aparecida Tavares Garcia
Renata Crivellari Rodrigues Ceribeli
Rodrigo Fassina
Wagner Vilmar Berton

Sobre o autor

Gabriel Priolli é jornalista radicado em São Paulo. Trabalhou nos principais veículos de imprensa do país, dirigiu e criou canais de televisão, e foi professor na PUC, FAAP e FIAM. Hoje atua como consultor de comunicação.