Um novo código de conduta no hospital. E a nossa parte nele
Um novo código de conduta no hospital. E a nossa parte nele
Está em debate interno e revisão, para ser publicado em maio, o novo Código de Conduta do A.C.Camargo Cancer Center — Nosso Jeito de Ser. É uma atualização de documento que já existia, para essa época que estamos vivendo, de muitas mudanças e novas exigências. Você vai ouvir muito sobre ele mais à frente, certamente, mas tive acesso ao texto e já vou compartilhando aqui as partes que tocam aos pacientes.
O hospital define como sua missão e propósito "honrar a vida, desafiando as fronteiras da oncologia, promovendo educação e pesquisa para a sociedade", e tendo como visão "um mundo que supera o câncer". Os valores que guiam essa missão são "o respeito à vida, o compromisso social, a excelência sempre, a consciência no uso dos recursos, e gerar e compartilhar conhecimento". OK, perfeito, é isso aí.
Outro ponto importante é o compromisso do A.C.Camargo com a integridade de seus profissionais, fundamentada em três pontos: honestidade (ser honesto e transparente), respeito (à vida, às pessoas, aos recursos da instituição, às informações dadas por ela) e exemplaridade (entender as consequências das atitudes, promover a cultura de integridade, ser exemplo de comportamento). Ótimo, parabéns, apoiado!
Mas o fundamental para nós, pacientes, que somos a razão de ser um hospital, está definido mais à frente. "Nosso compromisso com os nossos pacientes vai além do tratamento médico. Estendemos nosso cuidado para além dos aspectos clínicos, valorizando a segurança, a qualidade de vida, a dignidade, a individualidade e as necessidades físicas, emocionais e sociais de cada pessoa que busca nossos serviços" - diz logo o primeiro item, irretocável.
Outro ponto importante: "Respeitamos o direito do paciente ser informado sobre sua condição médica e sua autonomia para decidir sobre seu tratamento oncológico. Para isso, buscamos nos comunicar com pacientes e seus familiares de forma clara, objetiva e transparente, e fornecemos aconselhamento adequado para ajudá-lo a tomar decisões informadas sobre a sua saúde, considerando suas particularidades e necessidades".
O hospital também assume o compromisso de basear as práticas em evidências científicas e clínicas confiáveis, para obter os melhores resultados possíveis. Respeitar a autonomia do médico em decidir sobre as terapias recomendadas para cada paciente e confiar que ele decida com responsabilidade. Ter na segurança do paciente a maior prioridade e reconhecer quando há erro, mantendo com paciente e familiares afetados uma comunicação honesta e transparente.
"O que é esperado de nós?" - pergunta o código, sobre a relação com os pacientes. E ele orienta o profissional:
1. Assegure que nossos pacientes recebam o tratamento médico adequado, com base nas melhores evidências científicas disponíveis e nas suas necessidades individuais;
2. Atue com base nos protocolos clínicos e de segurança do paciente definidos pela Instituição, e proponha melhorias sempre que entender necessário;
3. Trate os pacientes com compaixão e empatia, ouça atentamente suas preocupações e necessidades e demonstre respeito em relação a eles;
4. Informe com clareza e transparência aos pacientes (e/ou seus representantes legais) sobre as opções de tratamento disponíveis, discuta os benefícios e riscos de cada opção, auxilie seu processo de decisão com a ponderação de suas preferências e valores e respeite suas escolhas informadas;
5. Comunique-se de maneira clara e eficaz com os demais profissionais de saúde envolvidos no cuidado. Isso ajuda que todas as informações relevantes sejam transmitidas de forma adequada e contribui para aumentar a segurança dos procedimentos realizados;
6. Tome todas as medidas para evitar que os pacientes sofram danos, tanto durante o tratamento quanto em situações de emergência.
7. Identifique riscos assistenciais de seus processos e realize avaliações regulares de eficácia de controles, para identificar os principais pontos fracos e áreas de preocupação na prestação de cuidados de saúde;
8. Notifique erros, incidentes e todas as situações que possam pôr em risco a segurança do paciente ou de nossos profissionais — inclusive possíveis erros ou falhas nas práticas médicas e assistenciais. Faça isso sem medo de punição ou represálias. Identificar, corrigir e mitigar esses eventos adversos nos ajuda a evitar reincidências e proporcionar um ambiente de cuidados mais seguro para nossos pacientes;
9. Busque suporte institucional quando se deparar com situações de dilemas bioéticos complexos e para os quais não há uma orientação institucional definida;
10. Monitore os indicadores de qualidade para acompanhar o desempenho de suas práticas clínicas e assistenciais, e identificar processos que requerem melhoria.
Bom, aí está o que o A.C.Camargo preconiza a seus profissionais no relacionamento conosco, os pacientes. Essas são as atitudes desejáveis para a instituição. Sabendo delas, tão claramente expostas, agora o nosso papel é cobrar que sejam sempre praticadas.
No segundo semestre será editado um Código de Conduta de Paciente, detalhando ainda mais esse papel. Mas podemos fazer a nossa parte desde já.
Gabriel Priolli é jornalista radicado em São Paulo. Trabalhou nos principais veículos de imprensa do país, dirigiu e criou canais de televisão, e foi professor na PUC, FAAP e FIAM. Hoje atua como consultor de comunicação.
