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Vacinação em pacientes oncológicos, calendário atualizado 2025-2026

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Vacinação em pacientes oncológicos, calendário atualizado 2025-2026

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vacinação em pacientes oncologicos

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vacinação em pacientes oncologicos

A vacinação em pacientes oncológicos é uma das estratégias mais importantes para reduzir riscos de infecções durante e após o tratamento. Em 2025 e 2026, as recomendações da SBIm e da SBOC reforçam a necessidade de um calendário vacinal individualizado, levando em conta o tipo de câncer, o tratamento em curso e o grau de imunossupressão.

Quando o organismo passa por quimioterapia, radioterapia ou uso prolongado de imunossupressores, o sistema imunológico pode ficar menos eficiente. Isso faz com que infecções comuns tenham maior chance de evoluir com complicações. Por isso, vacinar não é um detalhe, é parte do cuidado integral.

Por que o paciente oncológico precisa de um calendário vacinal próprio

O paciente oncológico não responde às vacinas da mesma forma que uma pessoa imunocompetente. Alguns tratamentos reduzem a produção de anticorpos e alteram a resposta imunológica, o que exige ajustes no tipo de vacina, no número de doses e no momento da aplicação.

Além disso, determinadas vacinas que são seguras para a população geral podem representar risco quando há imunossupressão importante. Por esse motivo, o calendário vacinal precisa ser personalizado, planejado e revisado ao longo do tratamento.

Outro ponto essencial é evitar atrasos no tratamento oncológico causados por infecções preveníveis. Quando a vacinação é bem organizada, o risco de intercorrências diminui consideravelmente.

Regras básicas antes de iniciar ou atualizar a vacinação

Antes de falar das vacinas uma a uma, existem três princípios fundamentais.

O primeiro é manter o calendário vacinal de rotina atualizado sempre que possível, de preferência antes do início do tratamento oncológico.

O segundo é lembrar que vacinas inativadas são, em geral, seguras para pacientes oncológicos, inclusive durante vários tipos de tratamento. Já as vacinas vivas atenuadas costumam ser evitadas quando há imunossupressão significativa.

O terceiro princípio é o timing. Sempre que possível, as vacinas devem ser aplicadas antes do início da quimioterapia ou de terapias imunossupressoras, pois a resposta imunológica tende a ser melhor.

Calendário de vacinação 2025-2026 para pacientes oncológicos

As recomendações atuais da SBIm para pacientes com doenças oncológicas em atividade orientam que o calendário seja seguido até a alta médica, com ajustes conforme a evolução clínica.

O foco principal está na prevenção de doenças respiratórias, infecções bacterianas invasivas e vírus que podem causar quadros mais graves nesse grupo de pacientes.

O calendário não é fixo, ele deve ser revisto ao longo do tratamento, especialmente quando há mudanças no esquema terapêutico.

Vacinas recomendadas para pacientes oncológicos

Nesta seção estão as principais vacinas indicadas, com comentários práticos para facilitar a aplicação na rotina clínica.

Vacina contra influenza

A vacina contra influenza é fortemente recomendada para todos os pacientes oncológicos a partir dos seis meses de idade. Ela deve ser aplicada anualmente.

Para pessoas com 60 anos ou mais, a vacina de alta concentração é preferencial, pois induz uma resposta imunológica mais robusta.

Essa é uma das vacinas mais importantes do calendário.

Vacina contra Covid-19

Pacientes oncológicos fazem parte do grupo de risco para Covid-19. O esquema vacinal deve seguir as orientações vigentes do Programa Nacional de Imunizações, que podem ser atualizadas ao longo do tempo.

É fundamental verificar se o esquema está completo e se há indicação de doses de reforço, sempre considerando o momento do tratamento.

Vacinas pneumocócicas

A proteção contra o pneumococo é essencial. As vacinas conjugadas mais recentes, como a VPC20 ou a VPC15, são preferenciais.

Em pacientes que nunca receberam vacina pneumocócica conjugada, pode ser utilizada uma dose única de VPC20 (sem necessidade de VPP23) ou um esquema sequencial com VPC15 ou VPC13 seguida da VPP23, conforme avaliação médica.

O histórico vacinal deve ser analisado com atenção para evitar doses desnecessárias ou esquemas incompletos.

Vacinas meningocócicas

As vacinas meningocócicas conjugadas, especialmente a ACWY, são recomendadas para pacientes oncológicos.

Em pessoas com maior risco (incluindo algumas situações de imunossupressão), o médico pode indicar 1 ou 2 doses e reforços periódicos (em geral, a cada 5 anos, conforme o caso).

A vacina meningocócica B também pode ser indicada, respeitando o esquema específico de cada produto.

Vacinas contra hepatite A e hepatite B

A vacina contra hepatite A segue as recomendações habituais por faixa etária.

Já a hepatite B exige atenção especial. Em pacientes oncológicos, é comum a indicação de um esquema com quatro doses, utilizando dose dobrada, além da checagem de sorologia após o término do esquema. Se não houver resposta adequada, o esquema pode ser repetido uma vez.

Vacina contra HPV

Em imunossuprimidos, o esquema é de três doses (0–2–6). A indicação depende da faixa etária e da avaliação médica.

Essa vacina é uma ferramenta importante na prevenção de infecções persistentes e suas possíveis complicações, especialmente em pessoas com sistema imunológico comprometido.

Vacina contra herpes zoster inativada

A vacina contra herpes zoster inativada é recomendada a partir dos 18 anos para pacientes oncológicos.

O ideal é que seja aplicada antes do início da quimioterapia ou de terapias imunossupressoras, sempre que possível, em duas doses.

Vacina Hib e vacinas de rotina

A vacina contra Haemophilus influenzae tipo b é indicada para pacientes que não receberam o esquema completo na infância.

Além dela, todas as vacinas de rotina devem ser revisadas, com resgate de doses pendentes quando indicado.

Vacina contra vírus sincicial respiratório

Para pacientes imunossuprimidos com 50 anos ou mais, a vacina contra o vírus sincicial respiratório pode ser considerada, especialmente em pessoas com maior fragilidade clínica ou risco respiratório elevado.

Vacinacao-em-pacientes

Vacinas contraindicadas em pacientes oncológicos

Durante períodos de imunossupressão grave, as vacinas vivas atenuadas são, em geral, contraindicadas.

Entre elas estão BCG, rotavírus, febre amarela, tríplice viral, varicela e dengue.

Em situações de imunossupressão moderada, algumas dessas vacinas podem ser avaliadas caso a caso, levando em conta o risco epidemiológico e a condição clínica do paciente.

Quando vacinar, antes, durante ou depois do tratamento

Sempre que possível, as vacinas inativadas devem ser aplicadas pelo menos duas semanas antes do início do tratamento oncológico, respeitando a orientação da equipe médica.

Vacinas vivas atenuadas, quando indicadas, precisam ser aplicadas com antecedência maior, geralmente de três a quatro semanas antes do início da imunossupressão.

Durante o tratamento, vacinas inativadas podem ser utilizadas, mas a resposta imunológica pode ser menor. Após o término do tratamento, alguns esquemas podem precisar ser reavaliados ou repetidos.

Importância da vacinação dos conviventes

A vacinação de familiares e cuidadores é uma forma essencial de proteção indireta.

Quando as pessoas que convivem com o paciente estão com o calendário vacinal em dia, o risco de transmissão de doenças diminui significativamente, especialmente em fases em que o paciente não pode ser vacinado.

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Conclusão

A vacinação em pacientes oncológicos exige planejamento, individualização e acompanhamento contínuo. O calendário atualizado para 2025-2026 oferece uma base segura para reduzir riscos, evitar infecções preveníveis e contribuir para a continuidade do tratamento.

Com orientação adequada e revisão periódica do calendário vacinal, é possível atravessar o tratamento com mais segurança e tranquilidade.

Sim. De modo geral, vacinas inativadas podem ser administradas durante a quimioterapia e outros tratamentos oncológicos. No entanto, a resposta imunológica pode ser menor nesse período. Por isso, sempre que possível, recomenda-se aplicar as vacinas antes do início do tratamento. Quando isso não acontece, o esquema pode ser ajustado ou reavaliado após o término da terapia.

As vacinas vivas atenuadas costumam ser contraindicadas durante períodos de imunossupressão grave, pois podem representar risco nesse contexto. Entre elas estão a tríplice viral, varicela, febre amarela, dengue, BCG e rotavírus. Em situações de imunossupressão moderada, algumas dessas vacinas podem ser avaliadas individualmente, considerando o risco epidemiológico e a condição clínica do paciente.

Sim. A vacinação anual contra influenza é fortemente recomendada para pacientes oncológicos, inclusive durante o tratamento. Trata-se de uma vacina inativada, considerada segura, e que reduz de forma significativa o risco de complicações respiratórias, internações e interrupções no tratamento oncológico.

A vacina pneumocócica é altamente recomendada para pacientes oncológicos, pois protege contra infecções graves, como pneumonia e doença pneumocócica invasiva. O esquema vacinal varia conforme a idade e o histórico de vacinação prévio, podendo incluir vacinas conjugadas mais recentes e, em alguns casos, esquemas sequenciais. Por isso, a avaliação individual é essencial.

Sim. A vacinação dos conviventes domiciliares é uma estratégia fundamental de proteção indireta. Quando familiares e cuidadores estão com o calendário vacinal atualizado, o risco de transmissão de infecções para o paciente oncológico diminui, especialmente em fases em que ele não pode receber determinadas vacinas ou apresenta resposta imunológica reduzida.